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PERSONAGEM
ALEX, O MENINO DE OLINDA

por Wladmir Paulino

Está lá no Aurélio a definição de gol: “sm Esp [TEXTO]1 Ponto ou tento, no futebol, pela transposição da bola nas balizas do adversário”. Provavelmente, transposto para qualquer idioma, o sinônimo será o mesmo. Mas no ‘vocabulário ortográfico alvirrubro’, localizado na Avenida Rosa e Silva, o melhor substitutivo para gol é Alex Olinda. E nem adianta dizerem que é exagero da imprensa, pois os goleiros batidos falam por si. Em sete jogos, sendo três amistosos e quatro pela Copa JH, Alex Olinda marcou nove gols, sendo cinco no torneio nacional.

E se foi pouco, lá vai mais. Até a rodada de quarta-feira, o alvirrubro era o artilheiro do Módulo Amarelo, com cinco gols e o terceiro de todos os módulos da Copa João Havelange. Só perde para Dill, do Goiás (nove gols) e Allan Delon, do Vitória/BA (sete). Osmar, do Camaçari, também balançou a rede cinco vezes.

Com as cartas na mesa e o personagem apresentado, vamos discorrer sobre ele, que, afinal, é o que interessa. O dilúvio – de gols – desabado nos Aflitos impressionou muita gente, menos o próprio ‘São Pedro’ que os provocou. Afinal, desde as peladas na porta de casa, em Ouro Preto, Olinda, Alex apresentava um problema crônico: fome insaciável de gols, fosse descalço, nas barrinhas de madeira; ou de chuteira, com um goleiro para atrapalhar.

Nascido Alexsander Ventura dos Santos, há 25 anos, no Hospital Tricentenário, Olinda, o futuro jogador do Náutico tem uma história, no mínimo curiosa, para contar: não gostava de ir a estádio de futebol e, acreditem, não torcia para ninguém, mesmo tendo em casa o pai, um – agora ex – rubro-negro doente. “Fui poucas vezes com meu pai, preferia jogar do que ir ao campo”, conta. Jogo oficial, mesmo, só pela televisão.

Da infância até os 20 anos, a vida do atacante não mudou muito em relação a qualquer garoto de classe média. Bola, estudo e um ou outro pagode com os amigos. Das peladas, passou para torneios de bairro, Liga de Futebol de Olinda e o Peladão Alto Astral, sempre envergando a camisa do glorioso Atlético de Ouro Preto. A cada torneio, a sina de artilheiro o perseguia, mas chance em time profissional, nada.

BRINCADEIRA SÉRIA – Também, ele fazia pouco caso de jogar profissionalmente, tanto que nem se interessou pelas famosas peneiras nos clubes. “Eu brincava de jogar bola”, admite. Mas, num dia de 1996, o jogador precisou tomar uma decisão. José Carlos Olimpikus, representante do Ypiranga, de Santa Cruz do Capibaribe, bateu à porta de Alex para levá-lo. A mãe relutou, o pai deu força e lá se foi o menino.

Quando a brincadeira ficou séria, Alex Olinda pensou até em parar. Dormia na concentração, sentia saudade da família – era a primeira vez que morava fora de casa – mas venceu os próprios medos. Nesse ano, o Ypiranga, inclusive, formou uma boa equipe, com Marquinhos (que depois jogou no Santa Cruz), Gaúcho (ex-Sport) e Jacozinho (ex-Santa e Seleção Brasileira). O ataque era formado por Alex – ainda sem o Olinda – Gaúcho e Jacozinho.

Ano novo, vida nova e time novo. Noventa e sete foi o ano do atacante assustar o ‘Trio de Ferro’, ou seja, Sport, Náutico e Santa Cruz, no Recife de Ivan Gradim. Oito gols e a terceira colocação no Campeonato Pernambucano foram suficientes para despertar o interesse do Rio Branco, de Americana/SP e proporcionar ao atleta a primeira viagem ao Sudeste do Brasil. No segundo semestre do mesmo ano, foi a vez de jogar em Minas Gerais, pela Caldense. “Foi muito difícil, nordestino lá não é visto com bons olhos”, diz.

NO ALVIRRUBRO – No início de 99 o retorno ao Nordeste, via Capela, não a casa do Senhor, mas uma modesta equipe de Alagoas. Foi lá que nasceu o ‘sobrenome’ que carrega até hoje. Para evitar confusões, a cidade-natal do jogador recebeu a homenagem. Como no Náutico também existe um Alex (zagueiro), permanece o Olinda, ainda mais que vem rendendo muitos e muitos gols.

Na concentração, ele divide o quarto com o lateral-direito Chininha, mas amizade mesmo, foi com todo o grupo. “Todo mundo chegou na mesma época e isso facilitou a união entre os jogadores”, conta.

E a opinião é que essa homogeneidade ajude para tirar o Náutico da hibernação – já caminha caminha para o 11º ano sem títulos. Mesmo recém-chegado, o atacante não é insensível aos anseios da torcida e confessa. “Fico um pouco apreensivo, mas isso me motiva”.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.08.2000
Domingo