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PERSONAGEM III
Família é o maior troféu na galeria

A imagem pré-concebida de um boleiro, principalmente quando começa a ganhar fama, está associada a grandes badalações, carros importados e mulheres a rodo. Sem fazer força, Alex Olinda não parece disposto a dar mais molho à turma ‘da barca’, como se chamam os jogadores adeptos a uma boa farrinha. Seu hobby? Brincar com o filho, Ádson, conversar com os amigos e ouvir uma boa música. Bem, falta acrescentar a tais preferências um ‘quando pode’. Quando pode ele brinca com o filho, quando pode conversa com os amigos e quando pode escuta um som.

O problema é aquele velho/novo, a tal rotina treino-concentração-jogo-viagem. O mais recente e querido dos divertimentos é o pequeno Ádson, de apenas nove meses, fruto da união de Alex com Michele Martins Ventura. “Quando estou em casa não largo ele um minuto’, conta o pai coruja, com o filho no colo devidamente uniformizado de vermelho e branco.

A esperada – e indispensável – pergunta não demora para vir à tona: com tanto chamego, o filho vai seguir a profissão do pai? Aqui Alex responde um categórico não. Mas ninguém imagine que ele menospreze ou se arrependa da escolha, o problema é o filho não passar pelo que ele passou. “É melhor ele estudar e fazer outra coisa”, opina o jogador.

O que Alex quer fazer com o filho, sua própria mãe – dele Alex – tentou um dia. Claro que em vão, para alegria da família timbu. Dona Josenete ralhava, punha o menino de castigo, chegava até a dar umas palmadas, como toda mãe que se preze, tudo em vão. “Queria que ele ficasse em casa estudando, mas não tinha jeito”, comenta.

Mais engraçado é que foi a mãe, sem nenhuma consciência do que fazia, que pôs o rebento no caminho do futebol desde o primeiro momento. Em 1974, quando assistia a um jogo entre Brasil e Tchecoslováquia – hoje dois países distintos, República Tcheca e Eslováquia – ‘Josa’, como chamam os mais íntimos, encantou-se com o nome de um jogador, Alexsander e decidiu batizar o filho igualmente.

NA RESENHA – Entre uma mamadeira e outra de Ádson, Alex encontra um tempinho para jogar conversa fora com os amigos no campinho em frente à casa. As peladinhas no campo onde marcou os primeiros gols tiveram que ficar de lado. “Fico mais na resenha com o pessoal”, comenta. Pessoal simpatizante, em sua maioria, pelo Tricolor do Arruda, mas nada que provoque hostilidades ou brigas. “Meus amigos sempre me apoiaram”, orgulha-se.

Além da conversa, o jogador, como todo olindense, é chegado na Folia de Momo, só que treino e frevo não fazem rima nenhuma e o jeito é apelar para a televisão. Outra saída é a praia, e as preferências são as de Bairro Novo, Casa Caiada e Itamaracá. “Mas não tenho tido muito tempo”, revela, sem lamentos.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.08.2000
Domingo