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COMPORTAMENTO II País precisa aprender a lidar com a velhice Envelhecer sim, mas com uma vida de qualidade, alegre e saudável. Este é o lema da atriz Arlete Salles, que reconhece não ter mudado muito nos últimos dez anos, a não ser no olhar, que, segundo ela, está mais profundo e maduro. Quando olho as fotos de A partilha e A vida passa, vejo que meu olhar está diferente. É um olhar denso, de quem cresceu e amadureceu interiormente. E estou realmente muito melhor do que há dez anos, quando terminava um casamento e estava mal. Hoje estou muito bem afetivamente, em outro astral. Não há muitos segredos para a juventude. Natália, Arlete e Thereza Piffer tentam manter a boa aparência através de consultas periódicas a dermatologistas, exercícios físicos sem fanatismos e cuidado alimentar. Thereza acha que o desenvolvimento espiritual é a chave do bem-estar. Natália diz que nunca foi de excessos e "ainda" não fez nenhuma cirurgia plástica. Das três, apenas Arlete Salles tenta imaginar como estará em 2020. Estarei bem velhinha, mas espero estar vendo minhas peças, saindo com amigos, caminhando ao ar livre. E, se a clonagem chegar, quem sabe um clone de Arlete? MUDANÇA SOCIAL A psicanalista Eliane Cotrim, da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro (SBPRJ) e psicóloga do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), comenta que a expectativa de uma maioria idosa no Brasil impõe uma mudança social e uma nova visão da velhice. Seremos velhos que namoram, viajam, consomem, conhecem e sonham. Isto causará uma revolução social. Para o psicanalista Jaime Daisson, da SBPRJ, de nada adiantará a longevidade se não houver, na família e na sociedade, uma valorização do idoso por sua possibilidade de transmitir as tradições, a sabedoria e a experiência de seus ancestrais. Somente na sociedade em que o idoso resgatar seus valores, ele poderá viver feliz, alegre, ser jovial e encontrar compensações para as perdas. Ironicamente, isto ocorrerá porque a economia de mercado está tomando conhecimento de que os idosos serão importantes consumidores, único valor que interessa ao mercado, constata. CUSTOS O novo velho não é visto só como o consumidor do futuro. No Brasil, onde apenas 75% da população chegam aos 60 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatístico (IBGE), a velhice é uma preocupação para profissionais e empresários de saúde, que tentam reduzir os custos dos tratamentos hospitalares com o estímulo a práticas preventivas. Esse é um dos motivos da reorientação da formação de profissionais de saúde, feita este mês por professores do Ministério da Educação (MEC) e do Senac. A assessora técnica da área de saúde do Senac, Mercilda Bartman, coordena o grupo de especialistas em educação e saúde que está criando com o MEC o novo currículo para a saúde. Hoje, saúde significa qualidade de vida. As pessoas devem viver bem para evitar futuras doenças. É um novo conceito mundial de saúde, que valoriza a prevenção e a promoção da saúde, diz Mercilda Bartman. De acordo com ela, isto foi determinado também por questões econômicas. O custo do atendimento hospitalar já não suporta tantos doentes. E esta multidão de idosos que invadirá o planeta tem de ser saudável, porque não haverá hospitais para tanta gente. FORMAÇÃO O currículo dos profissionais de saúde deve ter, agora, disciplinas de educação para a saúde nos cursos profissionalizantes do MEC e do Senac. Qualquer técnico deve saber ensinar a não ficar doente para que esta maioria idosa de 2020 viva com qualidade de vida, prevenindo-se desde já contra doenças, diz. Para a psicanalista Margaret Waddington Binder, a chave do envelhecer está justamente no cuidado com a saúde, com os amores e com os sonhos. E principalmente com a alma, declara. Para ela, o tempo não passa. Envelhecer jovem é não descuidar da vida. É não ser apenas um contador de histórias antigas, mas alguém que vive histórias novas. (M.C.) |
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