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POLÍTICA II Tripulantes não recebem más notícias por Reali Júnior PARIS As tripulações dos submarinos nucleares franceses que estão atualmente em missão acompanharam os lances da tragédia do submarino russo Kursk, mas nada sabem sobre a queda do supersônico Concorde, há quase um mês. A intenção das autoridades navais é evitar qualquer tipo de angústia ou desestabilização no interior das naves em alto mar os marinheiros poderiam imaginar ter seus familiares entre as vítimas da catástrofe aérea. Também estão vetadas as notícias sobre graves acidentes de trânsito no país. Nem mesmo as mensagens semanais enviadas pelas famílias (cada uma com 20 palavras no máximo) escapam à censura das autoridades. Quando ocorre a morte de um parente próximo, cabe ao comandante do submersível decidir o momento de informar o interessado. Segundo o capitão Jean Tandonnet, a má notícia muitas vezes não é comunicada na hora, porque a missão precisa ser cumprida. Na maior parte das vezes, a informação só é dada alguns dias antes do desembarque. Mas, por outro lado, as boas notícias (um nascimento por exemplo) são passadas rapidamente e festejadas a bordo. Hoje, as tripulações de submarinos apontam sua diferença em relação a outras unidades navais. E manifestam fraternidade marcada pelo tipo de vida comum. Poucos imaginam a dureza da vida a bordo, onde prevalece um sentimento simultâneo e paradoxal de grande solidão e total promiscuidade, revela um ex-tripulante de submarino atômico francês, que se identificou como Serge. As missões muitas vezes duram três meses e as dificuldades são muitas. Por isso, as tripulações são constituídas de voluntários. A condensação do ar e a umidade contribuem para apodrecer os uniformes. A temperatura nos mares mais quentes pode atingir até 50 graus centígrados e a alimentação é liofilizada por motivos de saúde e higiene. Não se permite nenhum tipo de fritura a bordo e fumar é proibido. No caso de doença em tempo de paz crise de apendicite por exemplo , são adotadas providências para retirar a vítima da embarcação. Mas durante um conflito ou missão secreta, a prioridade é o cumprimento da operação. O lazer a bordo de um submarino é mínimo. Nada a ver com o de um porta-aviões, onde há salas de cinema, TV, cultos e esportes. Num submarino nuclear o lazer limita-se à leitura, vídeo, jogo de cartas. Trata-se de um cotidiano monótono, o que requer nervos sólidos para suportar. |
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