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JC NEGÓCIOS
Fernando Castilho

"Para quem estava no inferno, chamuscado e sem esperança, o purgatório parece um paraíso, porque nele você tem esperança"

OSCAR RACHE
Presidente do Sindicato da Indústria Têxtil de Pernambuco, Oscar Rache Ferreira, referindo-se ao crescimento do setor no primeiro semestre de 2000

Todo mundo no azul

Agora não tem mais para onde correr. O Natal de 2000 vai ser o melhor depois do advento do Real em termos de vendas da maioria dos produtos que o brasileiro compra. Calma, é preciso esclarecer que será o melhor em termos de vendas consistentes. Não dá para comparar com as vendas feitas com o deslumbre do poder de compra de 1995 e 1996 de nossa moeda, quando as pessoas levavam o produto mesmo sem que ele tivesse manual, fornecedor acreditado e muito menos assistência técnica.

A diferença do sucesso do ano 2000 é que ele está vindo num crescendo sobre uma base de conquista de mercado. Onde o cliente sabe o que quer, está começando a substituir o que comprou há quatro ou cinco anos, reconhece a porcaria que levou para casa e já chega à loja dizendo eu quero isto.

É esse crescimento – tem economista chamando de sustentado – já estoura segmento como a indústria de alimentos que fechou o primeiro semestre operando com uma média de mais de 80% de sua capacidade instalada, da indústria de televisores que trabalha a plena carga, e a de automóveis que apesar da tradicional estratégia de reclamar dos impostos cobrados pelo Governo já sabe que vai exportar aquilo que não projetou em janeiro.

A recuperação ou a retomada da produção é tão consistente que indústrias como a de brinquedos e confecções que foram duramente atingidas pelas importações chinesas já sabem que este ano vai ter festa no balanço. Recuperaram o mercado com modernização e compra de matéria-prima lá fora. Não com produto pronto e malfeito.

Até a indústria do açúcar acumulou aumento de preços em 64% no último trimestre com expectativas de ter o ano mais rentável desde 1997 quando foi verdadeiramente desregulamentada. Isso sem falar na indústria de aparelhos de telefonia e a de computadores que no último trimestre simplesmente dobrou suas vendas.

Isso que dizer que a vida está uma beleza? Não. O brasileiro está devendo e pendurado no cheque especial. Mas é que; agora, tem novas necessidades e é isso que faz a economia crescer mais. Não estamos com uma vida melhor. É que aprendemos a consumir mais.

Regime de engorda

A Compesa vai aproveitar o período de preparação de sua privatização, estimado em dois anos, para engordar seu patrimônio com uma mercadoria que é importante para o futuro comprador: projetos. É que as dificuldades depois do fim do Planasa praticamente paralisaram os planos de crescimento da empresa de ampliar seu mercado especialmente na área de saneamento. A meta é atingir R$ 1 bilhão com projetos.

Pintanto o sete

Estão se juntando o cimento Nassau, Gessy Lever e Tintas Coral no projeto de reforço de suas marcas. O sabão Ala utilizará quatro mil litros de tintas para a divulgação do produto em muros, fachadas e mercados, da Bahia ao Amazonas. A Nassau gastará cinco mil litros de tinta para pintar em 784 armazéns de material de construção a sua marca.

Maior obra pública

Não é a toa que Queiroz Galvão, Norberto Odebrecht e OAS, comemoram tanto o contrato da duplicação da BR-232. O valor de R$ 276 milhões, faz dela a maior obra pública tocada, no momento, no setor rodoviário, seguida pelo Rodoanel de São Paulo. Não só pelo volume da obra, mas pelo curto prazo de entrega. Um sonho para qualquer empreiteiro.

Natuba muda com BR-232

A comunidade de Natuba, hoje distrito de Vitória de Santo Antão, será a maior beneficiária da duplicação da BR-232. É que o desvio que vai passar a 3,5 quilômetros da rodovia atravessará o distrito maior produtor de frutas e hortaliças do Nordeste.

Parque ecológico

A Marinha do Brasil não ofereceu ao Governo do Estado apenas o edifício que hoje abriga a Capitania dos Portos. Ofereceu 13 imóveis, entre eles o terreno da antiga Estação Rádio Pina, o Coqueiral de Olinda e até áreas à beira-mar em Tamandaré. Como o Governo tem interesse imediato no imóvel do Recife desmembrou da negocição o prédio da Capitania. Mas continuou a conversa sobre os outros que interessam diretamente às prefeituras de Olinda e Recife.

Acidente de percurso

O secretário Cláudio Marinho revelou, ontem, que ainda este mês começam as obras do ITBC, para onde deve ir toda a estrutura do Sofitex e mais um grupo de empresas desencubadas. Primeiro o Banco do Nordeste não topou financiar o projeto via FNE por conta das exigências de garantias reais. Depois, o grupo de investidores portugueses que pretendia entrar no projeto desistiu, pois queria 40% de todo o negócio.

O economista Uranilson Carvalho fala aos alunos da Faculdade Esuda sobre ONGs junto a famílias carentes melhorando sua situação econômica.

Confirmado para o dia 11 de setembro: a Valença & Associados lançam no Centro de Convenções o Symlog Consultants Group, software pioneiro para medição e observação de relações humanas nas empresas em português, com a presença de representantes da Symlog americana que desenvolveu o produto.

Nada menos que 716 empresas pernambucanas concorrem ao Prêmio Destaque Empresarial que será entregue no dia 20 de novembro, na sede do Sebrae/PE. O número de inscrições surpreendeu, pois em Minas foram 45 empresas inscritas e 18 no Rio G rande do Sul.

Pois é, a participação da arrecadação dos bancos e seguradoras no Recife caiu o ano passa em 12% do total. Já o setor de serviços médicos cresceu 17%. Com isso o Pólo Médico passou a ser o segmento que mais arrecada no Recife. Nele, o Grupo Fernandes Vieira alcançou o patamar de maior contribuinte do setor respondendo por 16% de tudo que o segmento arrecada no Recife.

E-mail: castilho@jc.com.br


Jornal do Commercio
Recife - 20.08.2000
Domingo