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NO PÉ DA CONVERSA
Lenivaldo Aragão

Explosão bivária

Mais uma vez, Paulo Montezuma, o conhecido Paulo Oião, traz uma história relacionada com um personagem do futebol pernambucano.

O caso, aliás, chegou a seus ouvidos, através de Arthur Lopes Araújo, na intimidade Duda, que Montezuma qualifica de um rubro-negro autêntico que respeita por demais o lema “pelo Sport tudo!”. Afirma Duda, entretanto, que não faz parte do time dos incontroláveis torcedores que perdem a cabeça no desenrolar dos jogos – esse tipo de torcedor é encontrado em qualquer parte, onde haja uma rolando e um coração a palpitar por uma das duas equipes.

Duda contou que certa vez, como vice-presidente do Sport, estava na tribuna de honra do Estádio da Ilha do Retiro, dando assistência, com toda a diplomacia que a situação exigia, um diretor do Fluminense. O tricolor carioca dentro de alguns minutos iria disputar um amistoso com o Sport. Cerimoniosa e respeitosamente, ia apresentando o dirigente do Flu a todos os que iam chegando para assistir ao jogo. Eram conselheiros e diretores, que tratavam o visitante com toda a fidalguia, como mandavam as leis da boa convivência desportiva.

Entre os dirigentes aos quais o diretor do Fluminense havia sido apresentado, estava Milton Bivar, homem educado, ex-presidente do Sport, que se sentou junto ao ilustre convidado, tratando-o de maneira fidalga. Conversavam sobre os problemas dos clubes, troca de experiências importantes, principalmente porque o Fluminense era tido como um referencial nos esportes brasileiros.

Entram as equipes em campo e então doutor Bivar vai começando a deixar de falar, atenção integral voltada para o jogo, que logo em seguida se inicia. No gol do Fluminense o famoso Castilho considerado um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro, em princípio uma barreira difícil de ser ultrapassada. Fazer gol em Castilho não era tarefa fácil. De repente, o inesperado. Um chute de um atacante do Sport, sem maiores pretensões, passa entre as pernas do afamado goleiro Castilho. Um verdadeiro frango. É quando então no auge da comemoração dos apaixonados torcedores, levanta-se doutor Bivar e grita: “Vamos dar nesse time de corno!”

Foi o fim da picada. Duda procurou um lugar para enterrar a cabeça, diante da explosão verbal do fino Bivar, que naquele momento agia como um torcedor qualquer. Fez que não tinha acontecido nada e na primeira oportunidade deu o fora da tribuna.

Doutor Bivar, pai do atual presidente do clube rubro-negro, Luciano Bivar, por sua vez, sentiu a mancada que acabara de dar, mas aí não havia mais jeito a dar, a não ser fazer que nada havia acontecido e seguir em frente.

Torcer em paz

Hoje o Santa Cruz recebe o Flamengo e espera-se um grande público, principalmente porque a torcida tricolor começa a crer no time. Haverá muita gente de Estados vizinhos torcendo pelos cariocas. A eles não se pode aplicar o slogan “orgulho de ser nordestino”, mas é bom que a torcida do Santa se lembre de que cada um é livre para escolher seus caminhos na vida. Já dizia um antigo comercial (ou reclame) : “Se o povo prefere Guaraná Fratelli Vita, para que contrariar o povo?”. Então, deixemos que a turma do Fla torça por seu time. Eu mesmo só torço por equipes de Pernambuco – não tenho nada com Rio, São Paulo e alhures –, e pela Seleção, e olhe lá. Mas não condeno quem pega o embalo dos outros. Quem não tem cão...

Bom senso

Ainda bem que prevaleceu o bom senso no ‘imbroglio’ que envolveu a Rádio Clube e o Sport. O diálogo existe para que pessoas civilizadas resolvam suas pendengas.

Por falar nisso...

Por falar em Sport, o pentacampeão pernambucano pega o frio da serra gaúcha, ao enfrentar o Juventude. Ainda invicto, apesar das adversidades, o Leão tem chance de obter um bom resultado.

Tutela

Ao estabelecer que o campeão e o vice da Copa João Havelange disputarão a Libertadores, e o terceiro e quarto, a Mercosul, a CBF chancelou a Copa João Havelange.

Robgol

Quem tem acompanhado a ainda inicipiente trajetória do Santa Cruz na Copa João Havelange, sente que o vice-campeão pernambucano, depois de 11 anos de ‘limbo’, está se valendo de tudo para se manter na primeira divisão nacional e mostrar ao torcedor do Brasil que continua vivo. Técnico não é mágico, eu sei, mas já dá para notar que Renê Simões tem muito a ver com o atual estado da equipe coral, que só não derrotou o Vasco, quarta-feira, diante de um desses azares da vida. Há muita gente brilhando nesse novo Santa Cruz, mas eu quero fazer justiça ao centroavante Robson, o Robgol (foto), que tem se mostrado incansável, correndo para todos os lados, com muito apetite de gol e até com jogadas requintadas.

Varejo 1

O ministro Marcos Vinicios Vilaça, entre as sugestões que fez para a emissão de selos especiais em 2001, não esqueceu o centenário do Náutico e o grande craque rubro-negro Ademir. ***** Por falar em Náutico, uma garota de cinco anos ligou aqui para a Redação, procurando o pai que trabalha na Casa. O chargista Miguel ensarilhou uma brincadeira: “Vocé é de onde?” “Sou do Recife” “Do Recife, pessoa física ou jurídica?” Depois de uma ligeira hesitação, a resposta: “Eu sou do Náutico”.

Varejo 2

Em Cima do Lance, o programa que fez sucesso na TV-Universitária, a primeira tevê educativa do Brasil, está voltando. É mais um veículo a promover o esporte pernambucano. ***** Lembram-se de Palito, aquele lateral que foi do Santa e do Náutico? Já não tão palito assim, pode ser visto todas as manhãs caminhando pela praia de Boa Viagem. Por sinal, esta semana estará fazendo uma operação de catarata. Desejo-lhe boa-sorte. ***** Carlos Gadelha, que dirigiu o Surubim, agora comanda o júnior do Unibol.


Jornal do Commercio
Recife - 20.08.2000
Domingo