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ASSEMBLÉIA
José Marcos reassume presidência e sucessão da mesa é deflagrada

por Ana Lúcia Andrade

Quando o presidente da Assembléia Legislativa, José Marcos Lima (PFL), reassumir o cargo amanhã, depois de cinco meses licenciado devido a problemas de saúde, certamente vai sentir um clima de despedida. O processo de sucessão da mesa diretora – camuflado, por enquanto, pelas eleições municipais de outubro – já toma conta dos bastidores do Legislativo. A eleição do colegiado será realizada em fevereiro de 2001.

Talvez por já prever o ‘bota-fora’ é que José Marcos Lima adianta de que forma será conduzida a sua sucessão. “O processo estará sob o comando do governador Jarbas Vasconcelos. Os nomes serão compartilhados entre todos os partidos, mas sob o comando maior do governador. Eu venho sendo cobrado por companheiros sobre a minha posição. Pois adianto que ela será tomada em consenso com o governador. Até por uma questão de gratidão, já que a minha eleição também passou pelo Palácio, eu não poderia deixar de considerar isso”, afirmou, durante a solenidade de assinatura da ordem de serviço da BR-232, no Palácio do Campo das Princesas, na quarta-feira (16). Essa foi a sua primeira aparição pública depois de uma cirurgia para redução do estômago.

Se depender do presidente da Assembléia, não será apenas a sucessão da mesa diretora que ficará sob as rédeas do governador Jarbas Vasconcelos. O pefelista pode até não dispor de muito tempo para marcar a sua passagem como presidente. Mas pretende fazer, dos seus últimos dias, o período em que os poderes Legislativo e Executivo estiveram em maior sintonia.

“Os deputados precisam colaborar. É importante ajudar o Governo a administrar o Estado. A Assembléia não pode ficar distante do governador”, advertiu. Segundo ele, os momentos de divergência entre os poderes, em função das discordâncias sobre o duodécimo (participação na arrecadação do Estado), não afetaram o relacionamento Assembléia-Palácio.

“É natural que cada um defenda o seu Poder. Sou um admirador do governador e um liderado dele. Tenho interesse em ajudá-lo na parte administrativa. Pelo menos no que me competir”, disse.

Ausente nos momentos de maior turbulência vividos pela Assembléia, José Marcos Lima preferiu não se posiocionar sobre as decisões tomadas pela mesa diretora, sob a presidência do deputado Bruno Araújo (PSDB). “Até por uma questão de ética eu não devo interferir”, avaliou. O pefelista, no entanto, elegeu a transparência nas informações como procedimento número um na sua conduta como presidente.

“Eu farei todo o possível para que a Imprensa tenha acesso as informações. Aliás eu sempre agi dessa forma. E o que for levantado de negativo, e tiver respaldo, terá que ser corrigido”, considerou. Informado sobre os projetos de criação de uma Corregedoria e de um Conselho de Ética – já que esteve ausente quando as propostas foram sugeridas pelos deputados Augusto Coutinho e Teresa Duere, do PFL –, José Marcos disse que são medidas que devem ser levadas adiante. “Quanto mais encontrarmos formas de aperfeiçoar o Legislativo, melhor para a Casa”, afirmou.

Embora reconheça que a Assembléia expôs a sua pior face no período de sua gestão, José Marcos não deixa de contabilizar um saldo positivo. Ele destacou os trabalhos das CPIs – Narcotráfico, Combustíveis e Medicamentos – como exemplo da colaboração dos deputados com a sociedade.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.08.2000
Domingo