
ENTREVISTA/ Bruno Araújo
Foram
os momentos mais delicados que vivi O presidente em exercício da
Assembléia Legislativa, Bruno Araújo (PSDB), já está
com a bagagem pronta para sua nova missão: trabalhar na
eleição de suas bases eleitorais. No gabinete, onde
concedeu entrevista a Ana Lúcia Andrade, uma dezena de
simuladores eletrônicos se amontoa no canto, só
aguardando o repasse do cargo, amanhã, a José Marcos
Lima (PFL). Embora lamente não ter tido a chance
de marcar uma gestão com ações administrativas
o que fiz foi apagar incêndios , ele
contabiliza um saldo positivo dos momentos mais
sofríveis de seu primeiro mandato.
JORNAL DO
COMMERCIO Como foi a experiência de presidente da
Assembléia Legislativa?
BRUNO ARAÚJO Foram os momentos mais
sofríveis e delicados que já vivi. Momentos de
constante monitoramento e, em muitos casos,
superdimensionados. O lado positivo é que a gente só se
engrandece quando se defronta com problemas. Eu não
imaginava enfrentar o problema das subvenções, as CPIs
federal e estadual do Narcotráfico, o processo
traumático da cassação de um colega. Enfim, não foi
uma presidência normal. Passei muito mais tempo apagando
incêndios do que das questões administrativas. E até
pela interinidade do cargo, não poderia tomar decisões
que marcassem a minha passagem. Mas saio de consciência
tranqüila, de que as decisões tomadas foram em
colegiado e seguindo a minha consciência.
JC O sr. assumiu a Presidência no momento
em que a Assembléia esteve mais exposta. O sr. reconhece
que há muitas incorreções no Legislativo?
Bruno O País vive um processo de
aperfeiçoamento das instituições. Se existem
incorreções, elas serão sanadas com o tempo. O que
precisa mudar, e será a médio e longo prazo, é a
relação representante-representado. Quanto mais pobre
é um Estado, mas distante a possibilidade do exercício
de um mandato estrito-senso. Infelizmente o deputado não
pode cumprir apenas as funções como parlamentar. O
eleitor exige, também, uma função executiva.
JC O sr. fala muito em decisões em
colegiado. Na prática, isso funciona mesmo, ou muitas
vezes se é obrigado a tomar decisões sozinho?
Bruno Vamos lembrar a polêmica criação
dos cargos comissionados. Quando a notícia explodiu, fui
eu quem fiquei por dois meses na imprensa dando
explicações. O assunto foi todo canalizado para mim,
porque eu estava na minha função institucional de falar
pela Casa. Agora, é inconcebível dizer que a decisão
não foi tomada em colegiado. Outro exemplo: a decisão
de usar as emendas orçamentárias (R$ 300 mil) dos
deputados para socorrer as vítimas das chuvas. Eu levei
a decisão a todos os líderes, que comunicaram às suas
bancadas. O que acontece é que muitos líderes não
conseguiram a unanimidade, ou não trataram o assunto
dessa forma.
JC Onde está a caixa-preta da
Assembléia? Até para o presidente, onde está a
dificuldade maior de administrar a Casa?
Bruno O serviço público de uma forma
geral é muito difícil...
JC Não estou falando de uma forma
genérica...
Bruno A Assembléia teve as suas
vísceras expostas...
JC Porque não teve outra escolha. Digamos
que a Assembléia foi esfaqueada.
Bruno Mas a partir do momento que houve
esse tipo de exposição ela soube tomar as decisões
acertadas.
JC Porque foi pressionada, ou o sr.
acredita que se a imprensa não tivesse investigado as
subvenções sociais, por exemplo, a Assembléia iria
corrigir as distorções?
Bruno Quantas e quantas vezes os jornais
trataram esse assunto e nunca tiveram acesso. Houve um
momento em que Assembléia abriu as informações.
JC Mas antes dessa decisão...
Bruno Não havia matéria alguma...
JC Os jornais já estavam em campo
investigando as entidades.
Bruno Mas não tinha matéria alguma. Sem
dúvida, o fim das subvenções é um divisor de águas
na Assembléia.
JC Um divisor de águas...
Bruno A Casa como um todo está mais
cautelosa. A Assembléia passará, de agora em diante, a
tratar as coisas com mais transparência. Estamos
extremamente sensíveis em reconhecer que algumas
questões precisam de uma discussão prévia com a
sociedade.
JC Como será estabelecida essa
discussão?
Bruno Informando por exemplo à imprensa
as medidas que serão adotadas. E aguardando o feed-back
da população. A sociedade só terá duas alternativas:
ou reconhece que são medidas necessárias ao exercício
do mandato ou obriga o deputado a repensar se disputa a
reeleição.
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