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GREVE
Caminhoneiros ameaçam parar com apoio do MST

O movimento está preocupando os orgãos de segurança do Governo, que vão tentar esvaziar a mobilização

BRASÍLIA – O Movimento Brasil Caminhoneiro anunciou que vai paralisar a circulação de veículos nos pedágios das principais rodovias brasileiras, dia 29 de janeiro, com a ajuda do Movimento dos Sem Terra (MST). A manifestação está mobilizando uma parcela da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e preocupando o Governo, que já começou a agir para tentar esvaziar o protesto.

As reuniões para acertar os detalhes do protesto, entre os movimentos, já ocorreram em 36 cidades, de 14 Estados. No último sábado, cerca de 250 pessoas participaram de um encontro em Guarapuava (SP). Além do MST e do Movimento Brasil Caminhoneiro, compareceram representantes de outros movimentos sociais.

Um dos coordenadores nacionais do MST, Lucídio Ravanello, disse que as manifestações deverão ficar concentradas principalmente em São Paulo, no Paraná e no Rio Grande do Sul.

Mas Ravanello prefere não antecipar detalhes sobre o fechamento de pedágios. Segundo ele, o protesto ainda é tema de conversações entre os participantes.

O presidente do Movimento Brasil Caminhoneiro, Nélio Botelho, informou que está mobilizando todos os movimentos sociais. A paralisação vai envolver todos os setores, inclusive o MST.

Botelho, que já liderou duas greves nacionais de caminhoneiros, disse que convidou a parcela do MST ligada à produção agrícola. “Não nos interessa o MST que quebra pedágios.”

Botelho afirmou que a manifestação só não ocorrerá se o Governo Federal reduzir os preços de pedágios nas rodovias, que segundo ele estão inviabilizando o transporte de alimentos. Pelos cálculos de Botelho, um caminhão de grande porte paga R$ 160,00 de pedágio em uma viagem de ida e volta entre São Paulo e Rio. Uma viagem pela rodovia Anhangüera, segundo Botelho, pode custar até R$ 300,00. Foi cerceado o direito de ir e vir dos caminhoneiros. Em todos os Estados visitados, segundo Botelho, as lideranças regionais de caminhoneiros e de movimentos sociais se prontificaram a engrossar a manifestação. A tendência é que a adesão fique próxima de 100%.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.12.2000
Quarta-feira

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