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ARTES CÊNICAS IV
Pai amigo da ditadura, filho comunista
Respeito e muito amor. Esta pode ser considerada a base da relação de Nelson Rodrigues e Nelsinho. Enquanto o pai freqüentava a alta roda da política nacional, era amigo de militares, como Garrastazú Médici (um dos motivos que o levava a ser combatido pela intelectualidade da época), o filho atuava no movimento estudantil. “Na minha adolescência, tivemos brigas homéricas. Mas a nossa relação foi amadurencendo a medida que nos colocamos em pontos extremos politicamente”.
O amor de pai sempre falou mais alto. Para visitar o filho, que vivia no anonimato, Nelson Rodrigues marcava encontros em esquinas e topava complicadas operações do MR-8.
O desapontamento de Nelson Rodrigues com o regime veio com a prisão do filho, que confessou as torturas sofridas no cárcere. “O Velho era uma visita sensacional. Todos os presos gostavam de conversar com ele. Era ele chegar e formava-se uma rodinha para discutirmos os contos de a Vida como Ela É... e até mesmo política, assuntos gerais, é claro”.
As diferenças só serviram para aproximar pai e filho. “Um dos momentos mais importantes da minha vida foi quando minha filha nasceu. havia terminado uma greve de fome de 32 dias e fui liberado para sair da cadeia para assistir ao parto. Cristiane nasceu no mesmo dia que o Velho. Foi a nossa homenagem a ele. Tive também a oportunidade de ficar com ele nos útlimos três meses, fui seu enfermeiro de cama”, revela Nelsinho.
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Jornal do Commercio
Recife - 20.12.2000 Quarta-feira
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