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NOVO ESTUDO
Celular não provoca câncer, diz pesquisa

Cientistas observaram 866 pessoas que usaram telefones celulares por pelo menos três anos e constataram que risco de tumor cerebral é baixo

CHICAGO, EUA – Um estudo, patrocinado pelo grupo de Pesquisas sobre Tecnologia Sem-Fio e pelo Instituto Nacional do Câncer, nos Estados Unidos, indica que o uso do telefone celular não está relacionado com câncer cerebral, embora não descarte a possibilidade de riscos decorrentes do uso prolongado do aparelho.

A pesquisa, publicada no jornal da Associação de Medicina Americana, observou 891 pessoas que usaram telefones celulares por menos de três anos e constatou somente um aumento muito pequeno no risco de um tipo raro de tumor cerebral. Esse aumento, porém, não foi considerado estatisticamente relevante: dos 35 pacientes com o câncer, apenas 14, ou 40%, eram usuários de celulares.

Um resultado isolado como esse pode ocorrer por simples coincidência, disse Russel Owen, da Food and Drug Administration (FDA, agência que zela pela segurança dos alimentos e remédios nos Estados Unidos).

Os autores do estudo admitem que é necessário prosseguir com as pesquisas, mas os resultados gerais mostram que o celular não provoca câncer no cérebro, segundo a epidemiologista Joshua Muscat, da Fundação de Saúde Americana.

Owen, da FDA, disse que as descobertas estão de acordo com pesquisas anteriores e mostram que não há motivo para preocupações.

Ao contrário de telefones comuns, os celulares têm uma antena dentro do receptor, o que faz com que o cérebro do usuário fique próximo às ondas de rádio eletromagnéticas emitidas pela antena. Desde que os primeiros aparelhos foram introduzidos nos EUA, em 1984, há suspeitas de que o uso possa estar ligado a tumores cancerígenos no cérebro, causados pelo contato com a radiação.

O novo estudo entrevistou 469 pessoas entre 18 e 80 anos com câncer no cérebro e 422 pessoas saudáveis e constatou que o uso do celular era ligeiramente mais comum entre os participantes que não tinham a doença, embora a média de uso de aparelhos celulares para os dois grupos de pessoas tenha ficado abaixo de três horas mensais, por menos de três anos.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.12.2000
Quarta-feira