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TRAGÉDIA NA BR-101 SUL II
Motorista teve alta de hospital

Atendido no HGV, Moacir Lopes, condutor do caminhão, sofreu apenas escoriações e uma pancada no pescoço. Parentes não quiseram informar onde ele se encontra

O motorista do caminhão Ford José Moacir Lopes de Albuquerque, 44 anos, que colidiu com uma caminhonete Custom, na BR-101 Sul, na tarde de anteontem, recebeu alta do Hospital Getúlio Vargas (HGV), antes das 6h de ontem e ainda não foi encontrado. Ele sofreu apenas escoriações nas pernas e no rosto e uma pancada no pescoço. Moacir foi socorrido para o HGV pelo irmão José Cleodon Lopes de Albuquerque, 50, motorista da ambulância do Hospital Regional de Escada. “Resolvi levar meu irmão para o HGV para protegê-lo das pessoas, devido à gravidade do acidente. Vamos esperar o laudo da perícia para saber que providências serão tomadas. Por enquanto, ele não quer ser achado”, declarou.

A mulher de Moacir, Eliane Bezerra dos Santos, não via o marido, desde a madrugada do domingo, quando ele saiu para trabalhar. “Moacir negociava material de construção, há cinco meses, e saiu cedo da madrugada para pegar os ajudantes dele. Eu estava em casa ontem (anteontem) quando fui informada sobre a batida e até agora não tenho notícias do meu marido”, contou. Eliane deixou a residência onde mora com medo de represália dos familiares das vítimas. “Sei que a revolta da família daquelas pessoas é grande e não tiro a razão”, disse. Segundo ela, este foi o primeiro acidente do qual Moacir foi vítima. “Meu marido nunca bebeu em serviço. Ele era muito trabalhador e responsável. Deve ter acontecido algum problema no carro dele, pois o veículo era velho”, falou. Moacir vive com Eliane há 25 anos e tem duas filhas e dois netos.

O pedreiro José Orlando Ferreira, 38, passageiro do caminhão, afirmou, depois de muita contradição, que o motorista não havia bebido em nenhum momento e que o caminhão não estava em alta velocidade. “Foi a primeira vez que eu saí com Moacir. A gente ia para o Engenho Esmeralda, em Escada, trabalhar e não bebemos nada antes”.

Já o gráfico Feliciano do Nascimento, 55, discorda da versão do pedreiro. Ele contou que, uma hora antes do acidente, trafegou atrás do caminhão e que na altura da entrada de Suape viu o veículo percorrer uns 500 metros na contramão. “A barberagem foi tanta que eu pensei: ou o motorista estava bêbado ou com sono. Meu amigo, que estava no carro comigo, chegou a pedir para eu ultrapassar o caminhão para evitar um acidente”, relatou.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.12.2000
Quarta-feira