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MAPEAMENTO
Fim da pobreza requer R$ 2 bilhões por ano

Pesquisa mostra que Pernambuco tem cerca de 4,5 milhões de pobres. Desse total, 2,5 milhões de pernambucanos são indigentes

POR PEDRO IVO BERNARDES

O problema da pobreza em Pernambuco não será resolvida por ações de assistência social. É isso que diz o estudo sobre as causas da pobreza na região Nordeste, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo o documento, a eliminação da pobreza em Pernambuco depende de ações que fomentem o desenvolvimento econômico e social.

De acordo com o diretor de Estudos Sociais do Ipea, Ricardo Paes de Barros, para resolver o problema via assistência social, o Estado precisaria desembolsar cerca de R$ 2 bilhões por ano – pouco mais do que foi conseguido com a privatização da Celpe. O montante foi apontado pelo Ipea como o valor necessário para elevar as condições de vida do pernambucano.

De acordo com os dados do Instituto, Pernambuco tem cerca de 4,5 milhões de pobres – o que equivale a 64% da população. Com relação à indigência, o Ipea calcula a existência de 2,5 milhões de pernambucanos nessa situação, o que significa 35% da população. Em termos percentuais, os números do Estado são próximos ao da Bahia.

Como exemplo oposto, o Estado de Santa Catarina é um dos que está em melhor situação, com 24,2% da população na linha de pobreza (cerca de 1,2 milhão de catarinenses) e de 400 milhões em situação de indigência. Segundo Barros, a situação em Santa Catarina é um exemplo de onde os efeitos da pobreza podem ser eliminados com a assistência social.

Para Pernambuco, a saída seria o investimento em infra-estrutura (como vem sendo feito) e nas áreas de educação e saúde. Enquanto os Estados do Sul caminham para zerar o analfabetismo nas próximas gerações, Pernambuco está deixando um resíduo de 10%.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.12.2000
Quarta-feira