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UFPE confirmada entre as grandes

Os bons conceitos obtidos pela UFPE, em seus cursos de graduação que passaram pela avaliação de condições de oferta feita pelo MEC, a confirmam, mais uma vez, como uma das melhores universidades do país. Nessa avaliação, o MEC levou em conta três itens: qualificação do corpo docente, organização didático-pedagógica e instalações físicas dos cursos. Com esse reconhecimento oficial, a UFPE, além de ver confirmada e melhorada sua imagem na comunidade acadêmica, tem outras vantagens: como maior facilidade para conseguir financiamento público e da iniciativa privada; valorização dos diplomas por ela conferidos, o que tem muito valor no mercado de trabalho; e motivação dos demais cursos. No Provão, seu desempenho também foi muito bom.

Os cursos avaliados pelo MEC foram os de bacharelado em física, química, computação, ciências biológicas e psicologia, e de licenciatura em física, química e ciências biológicas. Somente o de licenciatura em física não recebeu o conceito ‘muito bom’ (o mais alto) em todos os itens analisados. Essa conceituação é o resultado, segundo o reitor Mozart Ramos, de investimentos em recursos humanos que vêm sendo feitos, pela universidade, desde os anos 70, com mais destaque nos anos 90. É uma tradição na UFPE a ênfase em recursos humanos. Professores que vieram de Portugal, fugindo da ditadura salazarista, construíram as bases na área de ciências exatas. Vieram também professores da Europa e dos Estados Unidos. Nos anos 70, começaram a ser enviados para fazer pós-graduação, em universidades brasileiras e estrangeiras de grande conceito, graduados das mais diversas áreas. Ao voltar, deram impulso à melhoria da qualidade do ensino oferecido. Multiplicaram-se os cursos de mestrado e doutorado.

O cuidado com as instalações físicas também avançou. Durante muito tempo, as diversas faculdades e institutos da universidade funcionaram em prédios espalhados pela cidade, o que prejudicava a construção de uma verdadeira comunidade universitária. No campus da Cidade Universitária, quase somente a Faculdade de Medicina e o esqueleto do Hospital das Clínicas. A partir dos anos 70, apressou-se a construção do campus. Nos anos 60, decreto da ditadura forçou a troca de nome das universidades federais. Em vez do tradicional Universidade do Recife, por exemplo, Universidade Federal de Pernambuco. Mais de 30 anos depois, a Universidade Federal do Rio de Janeiro volta à sua designação primitiva e tradicional de Universidade do Brasil. Poderíamos imitar o exemplo, pois já temos mais três universidades, em nossa capital, com o nome de Pernambuco: a Rural, a UPE e a Católica. E o resgate de uma tradição tem tudo a ver com universidade.

Não se restringe à UFPE o desempenho pernambucano na área acadêmica e científica. A Universidade Rural, criada pelos monges beneditinos com a Escola de Agronomia de Tapera (hoje Bonança), oferece seus bons e tradicionais cursos de veterinária, engenharia agronômica etc. A UPE tem a velha Faculdade de Ciências Médicas e investe muito em seu Hospital Universitário Oswaldo Cruz. A Unicap tem cursos de bom nível. Mas é sobretudo com o avanço da UFPE no campo da tecnologia, da pesquisa, que Pernambuco tem condições para começar a montar projetos como os do Porto Digital e outros nas áreas de informática e energia nuclear.



Jornal do Commercio
Recife - 20.12.2000
Quarta-feira