BRASÍLIA – Ao contrário do que era esperado, o depoimento do ex-árbitro da Fifa Francisco Dacildo Mourão, ontem, na CPI da Nike não ajudou muito os deputados nas investigações sobre supostos esquemas de irregularidade na arbitragem do futebol brasileiro. Foi Dacildo Mourão quem gravou em vídeo a aula em que o presidente da Comissão Nacional de Árbitros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Armando Marques, insinuaria a conveniência dos juízes adotarem procedimentos diferentes nos jogos.
Mas, ao depor, ele disse desconhecer a existência de esquemas suspeitos ou a manipulação de resultados de jogos. “Os árbitros vão lá (gramado) tentando realizar o melhor trabalho possível”, afirmou Mourão. Exibida durante o depoimento, a fita de vídeo mostra Armando Marques instruindo aos juízes, durante uma aula de arbitragem, de que o futebol hoje passa a ser um grande negócio. Ele prosseguiu afirmando que há muito interesses envolvidos num jogo: “Tem coisas que a gente vê e tem coisas que a gente não vê.”
Marques disse que, na ocasião, falava para cerca de 60 árbitros. Ele negou que tenha existido algum tipo de conotação suspeita nas suas palavras. “Eu autorizei a gravação”, lembrou. “Falava ali sem pensar que minhas palavras poderiam ser entendidas de forma diferente.”
Mourão disse que haveria discriminação no futebol, sobretudo da parte de Armando Marques, contra os árbitros nordestinos. Mourão contou sobre episódios em que Marques teria chamado juízes nordestinos de animais.