O contato e a interação da hipoterapia, a terapia com cavalos, estimula não somente as funções cognitivas como também as funções motoras e sociais
por LEONARDO VALENTE
Da Agência Globo
Os movimentos rítmicos e precisos do cavalo, a liberdade provocada pela sensação de cavalgar e o contato direto com o animal e com a natureza são capazes de fazer verdadeiros milagres no tratamento e na recuperação de pessoas com problemas motores, mentais e até mesmo emocionais. Os exercícios, reunidos na hipoterapia, técnica terapêutica que tem como base o trabalho com cavalos, são cada vez mais indicados por terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos. Os resultados, segundo eles, são muito satisfatórios.
Um dos diferenciais da hipoterapia é o trabalho com o paciente ao ar livre, sobre e com o animal. O contato e a interação estimulam não somente as funções cognitivas como também as funções motoras e sociais.
“Isso proporciona equilíbrio, normalização do tônus muscular e percepção do próprio corpo”, explica a terapeuta ocupacional Beatriz Berro Marins, que há dez anos trabalha com hipoterapia, atualmente no Jockey Club Brasileiro, no Rio.
Segundo Beatriz, as vantagens do uso do cavalo neste tipo de terapia estão em seu estilo de marcha, sua capacidade de adestração e seu temperamento dócil.
“A terapia baseia-se na movimentação do cavalo, permitindo um deslocamento tridimensional do centro de gravidade, o que pode ser comparado à ação da pelve humana na marcha. Essa movimentação promove uma ação benéfica aos órgãos internos e à musculatura do paciente. Sobre o animal, ele aprende a equilibrar-se e a coordenar movimentos, tonificando a musculatura flácida. Tão importante quanto isto é a sensação de liberdade ao se livrar da cadeira de rodas ou das muletas durante um período do dia”.
Beatriz diz ainda que a partir da percepção do movimento e do corpo do animal, o aluno passa a desenvolver um diálogo afetivo mais intenso.
“O indivíduo é trabalhado como um todo e não em partes. Ele é inserido no convívio com o animal e também no social, no contato com terapeutas, familiares, tratadores e demais pacientes, o que é fundamental”
AFETIVIDADE – Um dos exemplos de pacientes que tiveram grandes melhoras com a hipoterapia é o de Rafael Cunha de Menezes, de 10 anos, que tem síndrome de Down. Segundo sua mãe, Regina Menezes, em um ano de terapia, ele melhorou a atenção e a afetividade.
“Rafael sempre foi um menino muito quieto e distante. É impressionante como ele ficou mais ativo e atento às coisas que acontecem ao seu redor. Além disso, seu lado emocional está mais desenvolvido. Ele está muito mais carinhoso e alegre “, diz a mãe.
Mas, para que as sessões sejam seguras e confortáveis para os pacientes, o terapeuta ocupacional Álvaro Rodrigo Dantas, que trabalha com hipoterapia, diz que os familiares dos pacientes precisam verificar se o local possui profissionais e estrutura adequados.
“É preciso que as sessões da terapia tenham profissionais da área de saúde, instrutor de equitação especializado, material de segurança e didático”, alerta ele.
RECIFE – Na cidade, um grupo de profissionais, incluindo fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, fonaudiológos e preparadores físicos, também oferece sessões de hipoterapia para pacientes com problemas físicos ou mentais. A iniciativa partiu de uma parceria com a Polícia Militar, há quatro anos. “O paciente vai se tornando independente e transforma a terapia em esporte”, explica Pepita Dantas, fisioterapeuta da equipe em atuação no Caxangá Golf Clube.
Serviço
Caxangá Golf Club: As sessões duram em média 40 minutos e são feitas terça de manhã e sexta à tarde. A avaliação custa R$70 e a mensalidade é R$ 130. Informações pelo telefone: 3271.1422.
Centro de Assistência Social da Polícia Militar: Informações sobre horários e preços das sessões: 3421.1195