Federação Internacional dos Jornalistas (IFJ, na sigla em inglês), a maior organização de jornalistas do mundo, com mais de 450 mil membros, fez a denúncia
BRUXELAS – Foram assassinados neste ano 62 jornalistas, vários deles depois de exporem casos de corrução ou expressarem opiniões políticas dissidentes, anunciou ontem a Federação Internacional dos Jornalistas (IFJ, na sigla em inglês), a maior organização de jornalistas do mundo, com mais de 450 mil membros.
No levantamento anual sobre os profissionais mortos no desempenho do trabalho, a IFJ registrou assassinatos em Serra Leoa, Espanha, Rússia, Paquistão, Moçambique e Colômbia.
“O número de mortes fala por si só – os jornalistas arriscam suas vidas para expressarem opiniões independentes e exporem injustiças”, afirmou em um relatório o secretário-geral da IFJ, Aidan White. “Em todas as esquinas do mundo os jornalistas estão pagando um preço terrível em sua luta pela democracia.”
Os jornalistas mortos em zonas de guerra incluem Kurt Schork, da agência Reuters, e Miguel Giol Moreno, da Associated Press, mortos em maio numa emboscada em Serra Leoa. Durante a cobertura dos conflitos no Oriente Médio, um jornalista palestino morreu e outros 30 ficaram feridos.
Entre as vítimas de assassinato estavam o espanhol Jose Luis Lopez de la Calle, conhecido crítico das ações terroristas do grupo separatista basco ETA, e Sergei Novikov, dono de uma estação de rádio russa que criticava poderosos chefões regionais.
Outros nove jornalistas foram mortos por grupos paramilitares envolvidos na guerra civil da Colômbia.
No Paquistão, Sufi Mohammed Khan, repórter que denunciou o tráfico local de drogas, foi assassinado depois de receber dezenas de ameaças de morte. Em Moçambique, o jornalista Carlos Cardozo morreu durante uma emboscada.
White enfatizou a importância de os meios de comunicação garantirem condições seguras de trabalho para os jornalistas. Ele aplaudiu a decisão tomada por diversas agências de notícias e redes de televisão de adotar códigos de conduta de segurança para os empregados.