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OLINDA II
Prefeita se diz constrangida com ação do MP

A prefeita Jacilda Urquisa (PMDB) se disse constrangida ao receber, ontem, a notícia de que o Ministério Público havia pedido seu afastamento. Segundo ela, o órgão está cumprindo o seu papel. No entanto, afirmou que está com a consciência tranqüila de que não agiu em causa própria durante a sua administração. “Minhas contas pessoais não se misturam com a conta da Prefeitura”, garantiu.

Em resposta às acusações, Jacilda alegou que a receita própria do município caiu em 90% nos últimos meses. Ela lembrou que fez um convênio com o Banco do Brasil para cobrar a dívida ativa de Olinda, que está em torno de R$ 150 milhões. “No entanto, José Arnaldo foi à televisão e disse que a cobrança era imoral e não deveria ser paga pela população. Eles saíram de porta em porta dizendo para ninguém pagar o IPTU”, acusou.

Segundo ela, hoje em dia os maiores contribuintes do município são também seus maiores devedores. “Com isso, passamos a reduzir os números de contratos e obras para adequar os gastos a receita”, destacou.

A prefeita disse que irá à audiência com a juíza e que mostrará a verdade dos fatos. Ela atribui as acusações a provocações políticas. “É lamentável que estejam fazendo todo este estardalhaço no final de minha gestão”, afirmou. Jacilda informou que quando assumiu o governo, Olinda tinha uma dívida fundada de R$ 54 milhões, estava com o nome no Cadin, as ruas estavam repletas de lixo e várias prestadoras e hospitais conveniados não recebiam repasses da Prefeitura há vários meses. “Estou entregando a Prefeitura muito mais saneada”, garantiu.

No entanto, ela se esquivou mais uma vez de informar a situação financeira do município. Segundo a prefeita, cada secretário é um ordenador de despesas e ela não tem idéia da receita e gastos de cada secretaria. “Temos uma dívida fundada de R$ 30 milhões, mas não sei o valor da dívida flutuante”, explicou. Até outubro, o valor da dívida de curto prazo era de R$ 8 milhões. “De lá prá cá a minha equipe está fazendo o balanço de contas, para adequação a Lei de Responsabilidade Fiscal”, informou.

Quanto aos serviços básicos, Jacilda disse que já advertiu as prestadoras de serviços e elas já voltaram a recolher o lixo das ruas. Ela garante ainda que os postos de saúde e clínicas estão prestando os atendimentos básicos e que os servidores irão receber os salários de novembro e o 13º. No entanto, a Prefeitura não pagará o mês de dezembro. Com relação às obras, Jacilda afirmou que a maioria foi concluída.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.12.2000
Quarta-feira