Do badalado pólo de diversão de Maracaípe ao agitado Mameluco: Porto promove noitadas que contemplam quem gosta de comer bem e dançar até amanhecer
Passa a adolescente usando o último modelito da heroína da novela das oito. Depois, o surfista platinado posando com seus óculos escuros. Logo mais, a mamãe carregando seus dois filhos, algumas bóias, uma bolsa e o guarda-sol. Cá e lá, ouve-se o sotaque paulista, o carioca, o gaúcho. Também se vê a turma do pagode, um ou outro ‘alternativo’ e, claro, os indefectíveis hippies vendendo pulseirinha de couro. No meio desse povo todo, circulam uns carrões posudos, outros menos. É fim de tarde em Porto de Galinhas: todo mundo voltando da praia e se dirigindo para mais uma rodada de chopp, sorvete, coxinha, crepe. O que a barriga aceitar a essas alturas.
Logo mais, toda essa fauna poderá ser vista lotando bares, restaurantes, sorveterias ou outras tantas comedorias da região. Porto não se resume apenas à praia – aliás, está bem longe disso. A cada dia, aumentam o número de casas dedicadas à sagrada ocupação do ócio e da gastronomia. Atualmente, um dos locais mais convidativos da vila é o mini pólo gastronômico formado pela La Crepérie, o novo A Casa (comida portuguesa) e o clássico O Pirata. Juntos, a creperia e os restaurantes formam um simpático conjunto, bastante freqüentado entre as 20:00h e meia noite. “Desde que cheguei aqui, há seis anos e meio, evitei o uso de cercas para separar os restaurantes. Acho que, dessa forma, não inibimos as pessoas. Elas podem entrar, olhar o cardápio e decidir se realmente querem ficar na casa”, diz a proprietária da La Crepérie, Cláudia Câmara, explicando a tal integração entre os três ambientes que formam o ‘pólo’. O proprietário d’A Casa, o português Luis Filipe Couto, está animado com a movimentação local, e já anuncia novos pratos para integrarem o cardápio do verão 2001. “Uma das novidades é um rolo surpresa que, por motivos óbvios, só poderá ter seus ingredientes revelados no dia da primeira apresentação do prato”, brinca.
Perto dali, outro clássico, o Beijupirá, também costuma atrair muita gente, desta vez um público mais maduro ou jovens casais de namorados. A comida, deliciosa, casa perfeitamente com o ambiente noturno, descaradamente romântico, repleto de pequenas luzes. Alguns famosos também costumam freqüentar o restaurante, mas é bom lembrar que, se você quiser ser visto, deve evitar a noite de sábado, quando as fotos são proibidas. Sair na Caras, darling, nem pensar. Mais agitado, o Beco da Sapucaia é um verdadeiro corredor dedicado à gastronomia. O local já foi mais charmoso – atualmente, o fluxo desordenado de carros é um dos maiores problemas – mas ainda é possível sentar numa das cadeiras dos bares locais e tomar uma cerveja gelada ou comer uma tapioca.
As lojinhas dedicadas ao artesanato oferecem produtos ótimos, e também são bastante procuradas por quem freqüenta Porto durante a noite. Algumas peças são verdadeiros achados, como as luminárias de restos de coqueiral (esqueça o mal acabamento, as peças são impecáveis, especialmente as vendidas na Arte da Terra, por R$ 60). Na Arte Brasil, os lustres artesanais feitos por Marcos Aurélio Branco passeiam entre o sofisticado e o rústico (cada um custa cerca de R$ 120). A loja ainda vende instrumentos musicais como alfaias e arandelas belíssimas, que podem ser encomendadas (telefone: 3552.2437). Não deixe de conhecer também as obras do artista plástico Carcará, que podem tanto ser compradas em algumas lojas quanto no ateliê do artista (ver matéria vinculada).
HORA DO RUSH – Barriguinha cheia, compras feitas, é hora de cair na farra noturna propriamente dita. Atualmente, tudo – quase tudo – acontece na Vila de Todos os Santos, na beira-mar de Maracaípe. No conglomerado das sete simpáticas casas, funcionam restaurantes deliciosos já a partir do visual, fator que se repete no cardápio. No 1/2 Santo, tem salada sertaneja (tem uma interessante a mistura de charque com crouton), entocadinho de charque ou frango e as tapioca doce (goiabada ou banana com queijo). Outros lugares concorridos são a Usina do Surf, o restaurante La Capaninna e o Chiquita Bacana (dizem que aqui se vende a melhor pasta de acaí de Porto). Apesar de se tratar de um local à beira-mar, 90% das meninas que freqüentam o ambiente podem ser vistas com saltos com mais de sete centímetros – enfiados na areia, claro – e uma boa carga de maquiagem, além de blusinhas de paetê. Não, você não está em Porto Rico (aliás, o primeiro nome da praia). Trata-se apenas de um surto coletivo provocado pela moda verão.
Depois da vila, lá pelas duas da madrugada, é hora de seguir para o Mameluco, perto da Palhoça da Mônica. Todo mundo vem para aqui depois que sai dos bares de Porto ou Maracaípe. O movimento é tanto que, na saída do pólo de Maracaípe, tem até engarrafamento. Eliane Fonseca, ou apenas Lili, é uma das proprietárias da casa. “Todo mundo fica dançando até o sol nascer. Já fechamos o bar às oito da manhã”, conta.