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PORTO DE GALINHAS VI
A vida é feita de mar, sol e caldinho

Aqui, o caminho das pedras é feito de areia branca: Muro Alto, Porto, Cupe, Maracaípe e mesmo o Rio Ipojuca fazem parte de um roteiro cheio de boas surpresas

O caldinho de aratu chega à mesa. “Aproveita que é cortesia da casa, a gente não trabalha com caldinho não”, diz a simpática Anne Lise, que trabalha como atendente no bar Palavita, no Pontal de Maracaípe. Para compensar o pecado (o caldinho é um dos mais saborosos já provados pela reportagem) a saída é pedir o ensopado de aratu, de onde veio a iguaria preferida dos praieiros.

O boteco-restaurante Palavita, construído numa ponta de areia situada entre o mar, o rio e o manguezal, mais se assemelha a um casebre de pescador – com o detalhe que essa característica não é intencional, o que lhe dá ainda mais charme. O chato é que a tal ‘pontinha do pontal’ seria – se existisse um concurso das dez praias mais bonitas da região – com certeza uma das primeiras colocadas. Chega a ser abuso escolher entre tomar banho num mar de águas claras de um lado ou se refrescar no mangue, do outro. Encare sem medo.

USINA NO MAR – A sugestão está aí, mas não se apresse: a dica é terminar sua romaria praieira justamente na praia que abre a matéria. Comece a odisséia lá no outro extremo, na praia da Camboa. Aqui, o que vale é o descanso e a vista para Muro Alto e Cupe. Na Camboa, o mar se encontra com o Rio Ipojuca, que traz um indefectível cheiro de usina até o litoral. Dali, abre-se o caminho para um bom pedaço de manguezal, que chega até a área do Porto de Suape. Seguindo em frente, está a hoje badalada Muro Alto, que, apesar de toda propaganda, ainda atrai pouca gente (o acesso só pode ser feito de bugre ou a pé). Como as águas são tranqüilas, muita gente aproveita o espaço para praticar esportes náuticos. Felizmente, a área dedicada aos jet-skis e demais brinquedinhos está separada da área dos banhistas, muito embora muita gente teime em se banhar no local. É triste constatar, mas, aos domingos, a areia frente à piscina fica tomada por carros. É preciso uma boa dose de esforço e paciência para apreciar a praia, até mesmo porque a concorrência entre a potência dos toca-fitas dos carros é bastante acirrada. Uma alternativa é chegar logo no início da manhã, quando o fluxo de visitantes ainda é pequeno (ou no final da tarde).

Depois de Muro Alto, a ordem natural é seguir para Cupe. O local não é próprio para o banho e, talvez por isso, guarda uma das paisagens mais bonitas do local. O aspecto meio intocado é reforçado pela presença de pescadores como José Severino, 68 anos, conhecido na área como Zezinho Pescador. “A pesca aqui ás vezes é boa, às vezes não. Vai depender da Lua. Tem dia que saio com 30 quilos de peixe, tem dia que não dá nada. Mas tempo de quarto (minguante ou crescente) é sempre melhor”, explica.

Se em Cupe a idéia principal é descansar, a vizinha Porto de Galinhas é mais que um convite à agitação. Como cada metro quadrado da areia é concorridíssimo, o bom mesmo é visitar a praia utilizando outros meios que não os próprios pés. Dica: para os adeptos de emoções com maior carga de adrenalina, o passeio de ultraleve é uma ótima pedida. Também é possível passear de Scooter, aquela moto tipo Vespa que virou febre entre o público jovem que freqüenta o local. Outra alternativa para conhecer as praias é o passeio a cavalo, que leva o visitante por locais menos explorados (Aleluia, você não tropeça nos bugres). Se a praia for o destino final, lembre-se: de uma vez por todas, pisar nos corais é uma agressão ao meio ambiente.(F.M.)

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Jornal do Commercio
Recife - 14.12.2000
Quinta-feira