A perita em trânsito do Detran e psicóloga Cristina Fontan diz que é muito difícil detectar nos testes para a habilitação as pessoas que têm algum tipo de perturbação mental com relação à direção. “Elas procuram não demonstrar, mas uma vez habilitadas, há o risco de essas pessoas perderem o controle sobre o automóvel e provocar ou sofrer um acidente”, adverte a médica.
Em São Paulo existem centros de formação de condutores que oferecem o apoio psicológico para alunos com dificuldade de assumir a direção de um automóvel. No Recife, nenhuma auto-escola dispõe desse tratamento especial. Entretanto, diz o diretor geral da Sociedade de Auto-Escolas de Pernambuco (Saepe), Luiz de Oliveira Lima, a ajuda vem da sensibilidade de cada instrutor. “É preciso diferenciar os alunos com limitações para o aprendizado daqueles com algum tipo de bloqueio inconsciente. Estes últimos necessitam ter estimulada a auto-confiança para vencer o medo de dirigir", diz Oliveira Lima.
INSEGURANÇA – Segundo o diretor da Saepe, nas aulas de direção veicular, os alunos com algum tipo de problema como traumas deixam à mostra a insegurança. “Nesses casos sugerimos que o aluno faça tantas aulas práticas quanto for necessário para obter a confiança sobre o veículo. Aprender como funciona o mecanismo do automóvel também ajuda”, revela Luiz de Oliveira.
O diretor da Saepe defende a aplicação de teste comportamental nos candidados à habilitação como forma de identificar as pessoas com dificuldade de dirigir. “Por outro lado, as autoridades de trânsito não demonstram interesse em trocar informações pedagógicas com os centros de formação, algo que poderia ajudar e muito os usuários”, diz Oliveira.