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ANIVERSÁRIO
Conservatório faz 70 anos

por Leonardo Spinelli

Centro de excelência da música pernambucana, o Conservatório Pernambucano de Música completou 70 anos de atividades neste mês de agosto, mantendo a tradição de ser o ‘fornecedor’ de músicos para o Nordeste e mantendo-se de pé, sem encontrar uma escola, em seus moldes, que faça sombra à sua importância na Região. Mas não é só a história que torna o CPM grande. A instituição passa por uma ótima fase e tem pretensões de ampliar suas atividades.

Com uma receita apertada e folha de pagamentos enxuta, a autarquia está em vias de entrar no Programa de Expansão da Educação Profissional (Proep) do Ministério da Educação (MEC). Na prática, ser incluído no Proep é contar com mais recursos, que podem gerar no futuro a criação de um curso superior e a expansão física do CPM, dois dos planos da instituição.

O ‘namoro’ com o MEC começou quando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi sancionada, desvinculando o ensino regular do profissionalizante. Com isso, o Ministério criou o Proep. “Nós percebemos que estávamos dentro do perfil exigido pelo MEC, pois já formamos técnicos profissionais em música. Essa foi a forma encontrada para aumentar a receita”, explica a presidente da instituição, Jussiara Albuquerque. O projeto enviado à Brasília já foi aprovado na primeira fase. Se tudo der certo, o CPM será o primeiro Centro de Educação Profissional do País na área da música. A expectativa é contar com os novos recursos ainda este ano.

O Conservatório é ligado à Secretaria de Educação, que repassa mensalmente R$ 11,9 mil para o custeio (limpeza, água, luz, etc.) e mais R$ 114 mil para a folha de pessoal que engloba 138 funcionários, dentre eles, 95 professores. As verbas oriundas das mensalidades dos alunos, bancam as atividades e a conservação dos instrumentos da entidade. O alto índice de inadimplência, no entanto, preocupa a diretoria da casa.

Segundo a diretora financeira do CPM, Marília Rodrigues, a metade dos alunos sem bolsa de estudos está em débito. São 1.250 estudantes, e desses, 20% são bolsistas. Levando para a ponta do lápis, fica da seguinte forma: são 250 bolsistas. Dos mil restantes, 50% não estão pagando. Como a mensalidade é de R$ 25,00 o caixa da instituição deveria ser de R$ 25 mil, no entanto, cai pela metade, R$ 12,5 mil.

FESTEJOS – É a partir dessa verba, que o Conservatório está realizando, durante toda essa semana, o Festival 70 anos, que reúne a nata da música erudita e popular da instituição e alguns convidador. Na realidade, o festival estava programado para ser bem maior, envolvendo cifras mais gordas, cerca de R$ 100 mil.

Estava tudo certinho, a Celpe já havia se comprometido a bancar 50% dos custos, através da Lei de Incentivo estadual, até que tudo foi suspenso, por conta de conflitos jurídicos com a Lei de Responsabilidade Fiscal, aquela que determina o balanço das contas públicas. Por causa disso, todos os projetos culturais que dependem do ICMS estão suspensos em Pernambuco.

Com esse contratempo tudo teve de ser mais simples, nada de lançar o livro sobre a história da entidade e nada da semana da música em novembro, pensados anteriormente. “No entanto, estamos buscando a Lei Rouanet para dar prosseguimento ao projeto original”, revelou Jussiara Albuquerque.

DIRETORES – O interessante na historiografia do Conservatório é o aspecto da continuidade administrativa. O cargo de presidente é indicado pelo Governador do Estado. Mesmo mudando a coloração partidária, fato que ocorreu com bastante freqüência nos últimos 13 anos, o encaminhamento administrativo segue uma linha reta. Prova disso é o projeto cultural Quartas Musicais, na pauta do CPM há nada menos que 20 anos.

Essa característica rendeu frutos positivos, como a modernização na forma de ensino. Foi criado o curso livre – na administração de Elyanna Varejão – para pessoas que não têm pretensão de se tornarem músicos, fugindo do curso regular e, ainda, abriu-se espaço para a música popular, muitas vezes discriminada em casas como essa. Hoje é possível encontrar aulas de jazz, MPB e músicas nordestinas.

Além da modernização, outro fator importante são os projetos pedagógicos e musicais. Na área educacional, destaque para o Projeto Suzuki, desenvolvido desde 1994, com 40 crianças da comunidade do Alto do Céu, em Beberibe. Além desse, há o Música é Vida, trabalhando com crianças deficientes e o Música na Biblioteca. Na parte musical destacam-se os grupos que trabalham para o CPM, mas desenvolvem carreiras próprias. O Sa Grama é atualmente o mais famoso entre eles.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.08.2000
Segunda-feira