
ANIVERSÁRIO III
Um emprego
para os músicos de 30 No início do século Recife já se
destacava nacionalmente como um centro da cultura
erudita. Entre os anos de 1918 e 1925 o compositor
pernambucano Euclides Fonseca, criador do Centro Musical
Pernambucano, já tinha obras voltadas para a música
clássica. Foi justamente neste período, época do
cinema mudo, que os cineteatros do centro mantinham
orquestras de grandes músicos, como Nelson Ferreira,
Zuzinha e João Ribeiro. Fora das salas de projeção, o
pianista Manoel Augusto, o violonista Vicente Fittipaldi
e o compositor e pianista Ernani Braga realizavam
concertos e aulas.
Foi assim até 1929, com a
chegada do cinema sonoro, que gerou o desemprego dos
músicos. Para contornar o problema, alguns artistas
criaram, no mesmo ano, a Sociedade de Concertos
Populares, que originou a Orquestra Sinfônica do Recife.
Nesta mesma época Ernani Braga já liderava um grupo de
músicos numa campanha para a criação de um
conservatório. Ele não entendia como uma cidade de
grandes iniciativas culturais vivia sem uma escola de
música.
Dessa forma, em 1930 é
fundado o Conservatório que teve como primeiro diretor o
maestro Ernani Braga. O vocábulo conservatório provém
da cidade de Nápoles, Itália, onde o padre espanhol
Juan de Tapia, em 1537, fundou o Conservatório Della
Madonna de Loreta, que recolhia crianças carentes. O CPM
nasceu particular. Somente em 1941, o interventor do
Estado, Agamenom Magalhães, elevou a institução a
autarquia administrativa, ligada ao governo. Esse cuidado
foi tomado para dar a instituição uma certa autonomia,
dificultando, assim, a sua extinção.
Em 1967 a autarquia passou
pelo seu pior momento, quando chegou a ser despejada do
imóvel alugado da Rua do Riachuelo. Nessa época, o
maestro Vicente Fittipaldi um dos fundadores da
casa , chegou chorando ao gabinete do então
governador Paulo Guerra pedindo que fossem tomadas
providências. Dessa forma, o Conservatório foi relocado
para o atual imóvel da Avenida João de Barros, onde foi
reconstruído.
A partir de então o CPM
foi reerguido, transformando-se no centro de excelência
que é hoje. Nestes 70 anos de existência apenas sete
iluminados tiveram a oportunidade de ocupar a
cadeira da Presidência. São eles: Ernani Braga
(1930-1939); Manoel Augusto dos Santos (1939-1967); Cussy
de Almeida (1967-1979/1991-1994); Henrique Gregori
(1979-1983); Clóvis Pereira (1983-1987); Elyanna Caldas
Varejão (1987-1990/1995-1998); e Jussiara Albuquerque
(desde o ano passado).
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