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INDÚSTRIA Preço da farinha de trigo pode ser reajustado em 10% pelos moinhos PORTO ALEGRE Os proprietários de moinhos devem aumentar o preço da farinha de trigo em pelo menos 10% nesta semana, o que provocará majoração nos preços de pães e massas, derivados do produto. A elevação decorre da quebra da safra de trigo no Paraná, tradicional líder da produção nacional, que neste ano colherá metade das 1,6 milhão de toneladas previstas inicialmente. A perda foi ocasionada pela geada. Devido a esse problema, os beneficiadores brasileiros foram obrigados a importar trigo da Argentina e dos Estados Unidos a preço mais alto que o normal. O trigo nacional, estocado da safra anterior, também subiu. Vamos tentar repassar pelo menos metade da alta da matéria-prima, declarou ontem o empresário Carlos Badotte, dono de moinho em Cascavel (PR), referindo-se a uma elevação de 10%. Segundo ele, o trigo da safra anterior subiu 20%. Há 60 dias, eu comprava a tonelada a R$ 250. Hoje, está custando R$ 300, acrescentou. Badotte disse, porém, que as peculiaridades do setor não permitem que haja uma combinação das indústrias em relação ao preço. O aumento não se dará por força de acordo, pois o setor é muito competitivo e pulverizado. Mas existe uma premência de repassar o custo de produção. Ele disse que a cadeia produtiva vai absorver o aumento, o qual não chegará a 20%, na sua opinião. O industrial lembrou que, em janeiro, o trigo argentino cairá de preço, equilibrando o mercado. PRODUÇÃO O Brasil produz cerca de 3 milhões de toneladas de trigo. Há 19 anos, o Paraná ocupa a liderança nacional da produção. Neste ano, o Rio Grande do Sul, não afetado pela geada, assumirá a liderança, com uma produção estimada em 950 mil toneladas. O País importa outras 6 milhões de toneladas do cereal. O Brasil está entre os três maiores importadores mundiais de trigo, junto com Egito e Irã. No próximo ano, em razão da quebra na atual safra paranaense, o Brasil deverá ser o maior comprador de trigo do mundo. |
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