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MISSÕES II Um passado de glórias Santo Ângelo, com cerca de 200 mil habitantes e distante 460 quilômetros de Porto Alegre, poderia ser mais uma cidade do tranqüilo e distante interior do Rio Grande do Sul, se não fosse por uma particularidade: é considerada o portão de entrada da chamada Região Missioneira, por onde se espalham 26 municípios que, no passado, constituíam a Província Jesuítica do Paraguai, pertencente à coroa espanhola. A cidade faz jus à fama que vem conquistando fora das fronteiras gaúchas, já que oferece a melhor infra-estrutura de acolhida aos turistas cada vez mais numerosos interessados em mergulhar na rica história dos índios guaranis, desconhecida pela maioria dos brasileiros. Além de contar com uma razoável rede hoteleira, bons restaurantes e centro comercial diversificado, Santo Ângelo surpreende o visitante por conciliar seu passado de glórias com o presente de forma harmoniosa. Está situada exatamente no local onde, em 1706, surgiu o último dos Sete Povos guaraníticos do Rio Grande do Sul, de nome Santo Ângelo Custódio. Coincidência ou não, essa missão foi a mais próspera redução brasileira e, hoje, ilustra a história da mais desenvolvida cidade da região. A visita a Santo Ângelo deve começar pela bela Catedral Angelopolitana, uma espécie de marco zero da cidade, localizada no mesmo lugar da igreja do antigo povoado. O templo foi construído em 1929 e o projeto foi inspirado na arquitetura da Igreja de São Miguel, hoje em ruínas e símbolo das missões brasileiras. No alto do seu pórtico vêem-se imagens representando os santos padroeiros dos Sete Povos (nome atribuído aos povoamentos do lado brasileiro das Missões): São Nicolau, São Borja, São Luiz Gonzaga, São Lourenço, São Miguel das Missões, São João Batista e, por último, Santo Ângelo. Vale a pena, também, visitar o interior da igreja, pois lá encontra-se uma valiosa imagem de Cristo morto, esculpida no início do século 18, provavelmente pelas hábeis mãos dos índios guaranis. Completando as atrações sacras, o painel Saga Missionária, do artista plástico Tadeu Martins, e uma série de vitrais com passagens bíblicas. À exceção do Monumento à Coluna Prestes erguido na entrada da cidade, em homenagem ao lendário Cavaleiro da Esperança, que iniciou ali a Grande Marcha pelos sertões brasileiros, em 1925 , as atrações turísticas de Santo Ângelo estão situadas nas imediações da Praça Pinheiro Machado, uma bem-cuidada área verde em frente à catedral. Entre um jardim e outro, podem-se observar conjuntos de pedras usadas na construção da antiga redução, desde pilastras a pedaços de paredes com desenhos em alto-relevo. O local passa a impressão de estarmos caminhando num pequeno sítio arqueológico. O que é verdade, levando-se em consideração o que havia ali no passado. MAQUETE Parte da história da cidade está em exposição permanente no Museu Municipal Dr. José Olavo Machado, localizado no mesmo espaço da antiga redução, num prédio datado do século 19. Pedras, utensílios domésticos, gravuras e esculturas em madeira contam um pouco da história dos primeiros habitantes da cidade. Há, inclusive, uma maquete da redução, ajudando o visitante a entender o bem-sucedido projeto implantado pelos jesuítas na conquista espiritual dos povos nativos do Rio Grande do Sul e de países vizinhos. Ao lado do museu, encontra-se a firma Moto Peursi, onde, em 1993, foram descobertos diversos materiais pertencentes à povoação, que podem ser apreciados pelos turistas. A Capela do Colégio Tereza Verzeri, a três quadras da Praça Pinheiro Machado, é outro ponto turístico de relevância, sobretudo para quem aprecia arte de influência renascentista. O templo chama a atenção pelas pinturas sacras do artista plástico italiano Emilio Sessa. (A.G.) |
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