![]() |
Empresas de bom coração POR ALBERTO CHERPAK As doenças do coração são a principal causa de mortes no Brasil. A cada dois minutos, uma pessoa morre em conseqüência de doenças cardiovasculares o que resulta em 300 mil mortes por ano. Outras milhares sobrevivem, mas têm sua capacidade produtiva e qualidade de vida comprometidas pela doença. Esses números alarmantes deixam marcas profundas em toda a sociedade. Nas famílias, que muitas vezes perdem precocemente entes queridos. No sistema de saúde e previdência social que, esgotados, destinam milhões para o tratamento e pagamento de pensões e aposentadorias precoces. Nas empresas, que convivem com índices significativos de faltas e afastamentos, diminuindo sua produtividade e, consequentemente, sua capacidade de competir. O cenário tornou-se ainda mais alarmante se considerarmos que grande parte desses casos poderia ser evitada com duas medidas simples: prevenção e rápido atendimento. Um programa desenvolvido pelo Telecárdio, com a chancela da Sociedade Brasileira de Cardiologia(SBC) e Federação Mundial de Cardiologia(FMC), está saindo do discurso para mudar, com ações práticas e eficientes, o sombrio quadro das doenças cardiovasculares no Brasil. Trata-se do projeto Empresa de Bom Coração que, em Pernambuco, foi lançado em parceria com a Interclínicas Nordeste. O projeto parte de uma evidência incontestável. A grande parte das mortes por doenças do coração pode ser evitada, desde que os fatores de risco sejam identificados e controlados a tempo ou que o paciente receba atendimento médico assim que iniciada uma crise. A novidade vem na forma com que essas ações são promovidas. O projeto está estimulando a prevenção e o pronto-atendimento nas empresas e locais de trabalho, reduzindo os riscos e melhorando a saúde e a qualidade de vida do funcionário. Para tornar-se uma empresa de bom coração, a organização passa por um período de treinamento, realizado pelos coordenadores do projeto. Os funcionários participam de palestras educativas, onde aprendem a identificar e controlar, com algumas mudanças de hábito, os fatores de risco como o fumo, sedentarismo, diabetes, colesterol alto e estresse. Paralelamente a essas ações, a empresa é alvo de um mapeamento para identificar os funcionários com a maior chance de vir a apresentar problemas cardiovasculares. Eles respondem a um questionário e submetem-se a exames que investigam a presença dos fatores de risco para a doença. Com essa radiografia em mãos, a organização pode desenvolver programas específicos junto ao grupo, minimizando os riscos da doença. Os ganhos para a empresa vão desde a redução dos custos por faltas e licenças de saúde até a maior satisfação e integridade física e psíquica de seus funcionários. Em todas as organizações onde já foi implantado, o projeto Empresa de Bom Coração tem contribuído não apenas para reduzir os casos de doenças cardíacas. Ao estimular hábitos saudáveis e cuidados com a saúde, vem-se mostrando eficaz também para estimular a melhoria da qualidade de vida dos funcionários e, conseqüentemente, dos índices de produtividade da empresa. Qualquer empresa pode participar, independente de seu porte, número de funcionários ou área de atuação. No Brasil, já receberam o certificado Empresa de Bom Coração marcas como a Natura, Siemens, Hewlett Packard, Dow Chemical, entre outras. Em Pernambuco, o trabalho começou na Santista Têxtil e, até o final de 2001, o projeto é levá-lo para outras cinqüenta empresas. Trata-se de um programa de medidas simples, de baixo custo, mas que pode mudar o sombrio quadro das doenças do coração no Brasil. Para isso, ele precisa apenas do engajamento e apoio dos empresários de bom coração. Alberto Cherpak é diretor médico da Interclínicas Nordeste |
|