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MÚSICA
Nova edição do Pernambuco em Concerto reúne 13 bandas, Mateus e Catirina na mesma festa

Terceira versão do festival vai contar com uma maratona de shows, a gravação de um CD e de um vídeo, além de farto material de divulgação das bandas. O evento acontece em homenagem aos autos do Cavalo Marinho

POR DARIO BRITO

Foi dado o pontapé inicial da terceira edição do Pernambuco em Concerto. Na última segunda-feira, no Café Cultura (Recife Antigo), a África Produções, anunciou para a imprensa os nomes que vão figurar no projeto esse ano. A figura escolhida para carregar a marca foi o Mateus, do Cavalo Marinho. Esse auto popular é o homenageado da edição. O projeto reúne 13 bandas num festival, CD, vídeo e traz novidades, como, a produção de uma faixa interativa, com informações sobre os participantes.

Ao todo, foram mais de 100 bandas e grupos analisados pela África Produções – idealizadora do projeto. A lista ficou assim composta: Sá Grama, Afoxé Ylê de Egba, Sangue de Barro, Caboclinho 7 Flexas (sic), Usina de Cordas, Os Caba, Lampiões e Maria Bonita, Prole, Aurinha do Coco, Os Cachorros, Jonh Bigu, Procurados e Cavalo Marinho Boi Pintado. Os organizadores foram unânimes em lembrar a dificuldade de seleção deste ano, embora alguns dos participantes tenham sido convidados, além da seleção de material.

Este ano, a escolha das bandas privilegiou grupos e artistas que, na maioria, já têm um nome divulgado dentro do cenário local. Alguns desses, inclusive, possuem CD, como é o caso da Os Cachorros e do Ylê de Egba. Entretanto, todos necessitam de um ‘empurrãozinho’ para entrarem de vez no circuito. Esse incentivo é justamente a real intenção do projeto. O Pernambuco em Concerto surgiu da necessidade de criação de uma espécie de espelho da diversidade rítmica pernambucana. Contudo, os organizadores não queriam um projeto que resultasse apenas num festival. A idéia era que fossem surgindo outros produtos que no final fossem convertidos numa espécie de ‘vitrine musical’.

Entre as particularidades desse ano, também estão a inclusão de Afoxé e Frevo, dois ritmos há muito namorados pela produtora, mas que, por uma série de questões, não puderam ser incluídos nas outras edições. As bandas já gravaram na semana passada as suas respectivas músicas no Luthier Estúdio e aguardam a mixagem. Algumas estão reaproveitando faixas de CD's que foram gravadas, como o Sá Grama, que traz Mingau de Cachorro.

A primeira tiragem do CD (que será lançado durante o festival), sairá com mil cópias, das quais 20% serão distribuídos para as bandas. A partir da segunda tiragem, o disco passa a ser vendido em lojas. A data do evento ainda não está definida, mas ficará provavelmente entre os meses de fevereiro e março.

A faixa multimídia, que apresentará release das bandas, fotos e trechos do vídeo, conta com o apoio do etnomusicólogo e professor da Universidade de Illinois, John Murphy. Ele estuda as manifestações da cultura pernambucana e desenvolve uma pesquisa sobre a cena cultural do Estado.

Para a produção do vídeo, está sendo feita uma reunião de imagens. As gravações começaram no dia em que a equipe se encontrou com as bandas no estúdio e vão até o festival.

O projeto tem o apoio do Ministério da Cultura, e está inscrito nas Leis de Incentivo estadual e federal. A fase agora é de procura de parceiros, embora a África já tenha investido recursos próprios no projeto. Além de apresentar substancialmente os artistas participantes, o Pernambuco em Concerto pretende aproximar as bandas do mercado, facilitar a realização shows, a gravação de CD’s, trabalhar a imagem dos grupos e fazer assessoria de imprensa, tudo em nome da preservação da cultura local. “Esses artistas já fizeram demais transmitindo as nossas manifestações durante séculos. Agora é com a gente”, garante Afonso.

HOMENAGEM – Esse ano, o festival ressalta a figura do Cavalo Marinho. O auto popular, composto por 76 personagens e que dura geralmente oito horas, é uma aglutinação de reisados. “Muita gente fala dos personagens Mateus e Catirina mas não sabe que eles fazem parte do cavalo marinho”, lembra Afonso.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.12.2000
Quinta-feira