A versão feminina do mesmo oráculo, no site 02neuronio, também se esconde atrás de um pseudônimo. A Charlatã tem menos veneno na língua, mas não fica nada a dever em sarcasmo, tiradas rápidas e, aparentemente, muitos quilômetros rodados por esse misterioso mundo dos relacionamentos sexuais e afetivos. Seus consulentes, invariavelmente, demonstram ter pouca idade e se debatem no eterno dilema composto quase unicamente por três enunciados: “Será que ela (e) está mesmo dando mole?”, “Fazer isto ou aquilo na cama é correto?”, “O que fazer com uma pessoa sacana?”. Desabafos, relatos e exibicionismo povoam seu mundo e ela distribui igualmente suas gotas de sabedoria. Nesta entrevista, a Charlatã fala da sua profissão e se revela uma mulher, até certo ponto, conservadora.
JORNAL DO COMMERCIO – Lendo as perguntas e respostas trocadas em sua seção, observa-se que não há exatamente problemas novos sob o sol do relacionamento. Na sua opinião, o que leva mais seu público a fazer consultas?
CHARLATÃ – Como eu sempre faço questão de deixar claro, não passo de uma charlatã com alguma experiência empírica na vida. Eu mesma me surpreendi com as perguntas que recebo. As pessoas fazem perguntas a sério! Eu acho que , por mais que se fale em sexo e relacionamento na internet,no jornal,na TV... as meninas vão continuar com dúvidas!
JC – Qual a sua experiência pessoal nesta área e porque, exatamente você, foi escolhida para tirar as dúvidas.
CHARLATÃ – Eu sou um robô que tem características da Jô Hallack, da Nina Lemos e da Raq Affonso, que são as editoras e criadoras do 02 Neurônio. Juntando toda a experiência das três, até que sou uma mulher experiente... Mas a minha experiência é empírica. Dou conselhos que daria para uma amiga! E, quando o caso é sério, indicamos para a pessoa um especialista de verdade...
JC – Como é a questão da preservação da identidade. Alguém, fora do site, sabe quem realmente você é? O pseudônimo foi uma exigência pessoal ou veio com o emprego?
CHARLATÃ – As pessoas sabem que eu fui programada pela Jô, pela Raq e pela Nina. Elas me inventaram porque acharam legal ter um personagem como eu. Eu sou a única charlatã do Brasil que assume que é charlatã!!!!
JC – Como você analisa o equilíbrio de forças entre os universos masculino e feminino neste final/início de século?
CHARLATÃ – Tem vezes que eu acho que as pessoas continuam brincando de cabo de guerra! O homem não telefona, aí a mulher também não erc. A moça vira chefe, aí os homens espalham que ela é mal comida. Continuamos brigando um pouco!
JC – Como você se define: uma pessoa conservadora? Moderna? Mista?
CHARLATÃ – Eu sou moderna, mas sou contra a feira da uva! Acredito em respeito, consideração e sinceridade! Hoje todo mundo acha que tudo é normal, sacanear os outros é normal, não usar camisinha é normal. Nesses termos, sou conservadora. Mas não sou da TFP.
JC – Por que há tão poucas consultas gay no site? Há uma espécie de reserva de mercado hetero?
CHARLATÃ – Boa pergunta. Nunca tinha pensado nisso! Gays, mandem as suas dúvidas para mim!!!!
JC – O que você acha da seção Tio da Limpeza, do site concorrente, o Banheiro Feminino?
CHARLATÃ – Acho legal!Acho bacana!Eu gosto do Banheiro.
JC – Como é que você administra o ritmo das respostas, ou melhor, consegue responder quanto da correspondência enviada?
CHARLATÃ – Queridos, eu tento, me esforço, mas recebo muuuuitos e-mails! vivo em dívida com a caixa postal. Mas, a custa de muito sacrifício, todas as perguntas são respondidas. Sempre. Mesmo que eu deixe de ver meu namorado uma semana por isso!