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ACIDENTE NA BR-101 SUL Multidão acompanha funeral
Num clima de comoção e revolta, centenas de pessoas acompanharam a pé o enterro dos 4 parentes até o Cemitério de Ribeirão. Família vai entrar na Justiça Já passava das 9h de ontem, quando a multidão que tomava conta da Capela da Santa Luzia, em Ribeirão (Mata Sul) onde aconteceu o velório de quatro das 14 pessoas mortas no acidente ocorrido na segunda-feira, em Escada saiu em cortejo para prestar as últimas homenagens às vítimas. Paula Adriana Sales de Lima, 27 anos, Jefferson Rafael Sales de Lima, 3, Zélia Maria da Silva, 82, e João Cláudio do Nascimento, 18, integrantes de uma mesma família, foram enterrados no Cemitério de Ribeirão. Durante o trajeto de cerca de dois quilômetros, feito a pé por centenas de pessoas, o clima era de comoção e, ao mesmo tempo, de revolta. Apesar de a polícia ainda não ter identificado os responsáveis pela tragédia, os parentes vão ingressar com uma ação na Justiça contra José Moacir Lopes, motorista do caminhão Ford que colidiu contra a caminhonete-lotação. Ele ainda não foi localizado. Meu filho tinha conseguido uma folga antecipada do seu trabalho, no Recife, e resolveu fazer uma surpresa para nós, neste final de ano, vindo a Ribeirão. Quando soube da morte dele, ontem de manhã (anteontem), eu não acreditei. Só espero agora que Deus olhe por nós e por ele, lembrou Luzinete Barbosa de Almeida, mãe de João Cláudio. Segundo ela, o filho não costumava viajar de lotação. Depois do acidente, eu fiquei com medo de pegar esse tipo de transporte. O problema é que o ônibus demora muito, às vezes, ele passa de duas em duas horas, enquanto a caminhonete Veraneio, de 10 em 10 minutos, pelo menos, atestou a moradora Célia Maria da Silva. Ela é uma das muitas pessoas que usam o transporte alternativo, todos os dias, para ir de Ribeirão a Recife. Com o ponto facultativo decretado, ontem, pela prefeitura do município, centenas de pessoas deixaram suas casas para engrossar a multidão que acompanhava o cortejo. Em algumas ruas por onde passava, houve congestionamentos. Só às 10h30, quase uma hora e meia após ter saído do velório, na Vila da Cohab, os corpos chegaram ao cemitério. Logo no início do sepultamento, o silêncio foi quebrado pelos cânticos das beatas e choro dos familiares e amigos. Flávio Alexandre Sales, um dos irmãos de Paula Adriana Sales de Lima, desmaiou e precisou ser levado às pressas para o Hospital Geral de Ribeirão. Segundo os familiares, no entanto, ele passa bem. Não sei mais o que vou fazer daqui pra frente. Tenho muita coisa para resolver em Ribeirão. Talvez até volte para João Pessoa, que é a minha terra natal, declarou, desolado, Ulisses José de Araújo, marido de Paula Adriana e pai de seu único filho, Jefferson Rafael de Lima. Segundo lembra o marido, antes de voltar para Ribeirão, Paula disse, ao telefone, que tomaria um ônibus. Eu sempre a orientava a não pegar lotação, em hipótese alguma, ressaltou Ulisses. Depois que a gente for à polícia, vamos procurar um advogado amigo nosso para abrir um inquérito na Justiça contra o motorista do caminhão e o seu irmão (José Cleodon de Albuquerque) que o socorreu após o acidente, para que sejam responsabilizados pela tragédia e presos, avisou Márcio Roberto Sales, irmão de Paula. |
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