Corpo estava num bueiro nas dependências da unidade. Polícia e Secretaria de Saúde investigarão o caso. A diretoria crê que morte foi acidental
A Delegacia de Casa Amarela vai apurar a morte da deficiente mental Joseane Severina da Conceição, 30 anos, ocorrida sábado no Hospital Ulisses Pernambucano (HUP), no bairro da Tamarineira, Recife. O corpo da paciente foi encontrado dentro de um bueiro, terça-feira, próximo ao Centro de Atividade Terapêutica do hospital. A Secretaria Estadual de Saúde decidiu instaurar uma sindicância para apurar o caso. A diretoria do HUP acredita que a morte foi acidental.
O vice-diretor do HUP, Edézio Lira, declarou que Joseane foi internada, no dia 23 de novembro, com um quadro psicótico. Ela veio da cidade de Orobó e após os primeiros dias de tratamento começou a apresentar sinais de melhora.
O desaparecimento da paciente se deu no sábado, durante o temporal que castigou a Grande Recife. De acordo com ele, a hipótese mais provável é que ela tenha saído das dependências do hospital e caído no bueiro que fica em uma área pouco movimentada. “A chuva havia alagado o terreno e, provavelmente, ela não percebeu o buraco. Quando pisou, a tampa se deslocou e ela caiu”, imagina.
A ausência só foi notada à noite, durante a contagem, na enfermaria. Inicialmente, os funcionários acharam que ela tinha fugido, mas, três dias depois, o mau cheiro que exalava da vala chamou a atenção deles, que terminaram descobrindo o corpo da paciente. “Comunicamos o desaparecimento à família achando que ela havia voltado para casa, mas infelizmente nos deparamos com esta realidade”, disse Edézio Lira.
CHOQUE – Ele informou que a notícia da morte de Joseane abalou muitos pacientes com quem ela mantinha laços de amizade. “Eles ficaram chocados. Muitos continuam abatidos e choram muito. Apesar do pouco tempo, ela estava começando a se ressocializar”, afirmou.
O vice-diretor definiu Joseane como uma paciente psicótica com comportamento regredido e desorganizado. Nestes casos, segundo ele, a pessoa fica como uma criança e não consegue se cuidar, delira e o pensamento é dissociado. Ele ressaltou, porém, que Joseane não precisava de cuidados para se deslocar e circulava bem pelo hospital. “Ela nunca tombou ou teve qualquer dificuldade para caminhar”, afirmou.