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EXPLORAÇÃO NO CAMPO
Usina faz acordo e se livra de ação

Embora negue existência de trabalho clandestino no Engenho Sete Ranchos, a empresa, segundo Ministério Público do Trabalho, deverá assinar termo de ajuste de conduta

A Usina União Indústria – proprietária do Engenho Sete Ranchos, que é acusado pelo Ministério Público do Trabalho de utilizar mão-de-obra clandestina e negar direitos trabalhistas e boas condições de alojamento aos canavieiros – deverá assinar um termo de ajuste de conduta, se comprometendo a regularizar a situação, sob pena de multa. De acordo com o procurador do trabalho Arthur de Azambuja Rodrigues, a diretoria da empresa, embora tenha negado a existência de trabalho escravo no engenho em Amaraji (Mata Sul), está disposta a se adequar às normas no que diz respeito às condições dos alojamentos, não sendo mais necessário ser notificada através de uma ação civil pública.

Segundo o Ministério Público do Trabalho, há, no engenho, cerca de 100 agricultores vivendo sob condições precárias de trabalho e moradia. Esses canavieiros teriam sido levados por Cícero e Naílton José dos Santos, presos pela Polícia Federal terça-feira pela manhã, sob acusação de aliciar os trabalhadores de outros Estados e ainda reter suas carteiras de trabalho. Os dois foram autuados em flagrante, juntamente com o administrador do Engenho Sete Ranchos, Daniel Alves de Oliveira, acusado de ser conivente com a prática.

Os três foram liberados na noite de terça, após prestarem depoimento na sede da Polícia Federal. Segundo o procurador Arthur de Azambuja Rodrigues, o caso será encaminhado ao Ministério Público Federal, que será responsável pela investigação a partir de agora.

RESPOSTA – A diretoria da usina, através de sua assessoria de imprensa, negou que exista irregularidades no engenho. Segundo informações da empresa, os cerca de 1,5 mil canavieiros que trabalham na usina possuem carteira assinada e recebem o valor do piso salarial da categoria: R$ 190. Com relação às denúncias de que não há colchões suficientes para todos e de que os trabalhadores têm que pagar para utilizá-los, a empresa afirma ter adquirido cerca de mil colchões nos últimos três meses, como mostram as notas fiscais de compra apresentadas à imprensa.

A exploração do trabalho infantil também foi negada. A assessoria de imprensa da usina afirma que não foram encontradas crianças no ambiente de trabalho e que a própria empresa se encarrega de fiscalizar o corte de cana, a fim de evitar esse tipo de abuso no engenho.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.12.2000
Quinta-feira