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ACIDENTE NA BR-101 SUL VI
“Só quero esquecer essa tragédia”

A família do motorista de caminhão José Antônio Virgínio da Silva, 42 anos, se resume a ele agora. O acidente em Escada tirou a vida de sua mulher e das duas filhas de uma só vez. Ontem, durante a liberação dos corpos no IML, ele era o retrato da dor. “Ainda não sei o que vou fazer. Por enquanto, quero apenas enterrá-las. Depois verei como vou viver”, disse. José Antônio era casado há 20 anos com Marta Maria de Almeida. “Tiraram a vida da minha família, mas agora não penso em recorrer à Justiça. Só quero esquecer essa tragédia”.

JORNAL DO COMMERCIO - Quando o senhor fez a primeira ligação para casa?

JOSÉ ANTÔNIO - Eu trabalho transportando produtos químicos e viajei para o Pará a serviço. Fiz a primeira ligação na segunda-feira, de Picos, no Piauí, e não encontrei elas. Falei com meu irmão e ele me disse que as três tinham ido para o Recife fazer compras. Voltei a ligar à noite e fui informado de que elas não tinham chegado. Não me preocupei muito porque achei que tinham ficado para dormir na casa da minha cunhada. Liguei de novo ontem (terça-feira) de manhã, de Caruaru, e nada. Voltei a telefonar à noite e, mais uma vez, meu irmão disse que elas não tinham aparecido.

JC - A partir desse momento o senhor começou a desconfiar que sua mulher e filhas poderiam estar mortas?

JOSÉ ANTÔNIO - Foi. Já estava um pouco preocupado porque Marta ficou de me ligar no celular desde segunda-feira e não ligou. Ela não ia dormir no Recife sem me avisar e sabendo que eu iria ligar da estrada. Meu desespero começou mesmo quando liguei para a casa da minha cunhada e ela disse que Marta e as meninas tinham voltado para Ribeirão ainda na segunda.

JC - O senhor sabia do acidente na BR-101 Sul?

JOSÉ ANTÔNIO - Não, mas fui informado pela minha cunhada. Ela disse, inclusive, que algumas das vítimas continuavam sem identificação no IML. Era duro de acreditar, mas tínhamos que começar por lá. Meu pai e uma sobrinha foi quem fizeram o reconhecimento porque eu não tive condições.

JC - O senhor agora está sozinho. O que pretende fazer?

JOSÉ ANTÔNIO - Não sei. Por enquanto, apenas enterrá-las. Não tenho cabeça para pensar em mais nada. Eu tinha muita esperança de não encontrar as três mortas, mas era difícil porque não havia motivo para não terem chegado em casa. Era muita coincidência elas desaparecerem e ter acontecido um acidente exatamente no trajeto que elas faziam para chegar em casa.

JC - O senhor pretende tomar alguma providência judicial?

JOSÉ ANTÔNIO - Pode ser que mais para frente eu pense nisso. Depois que a polícia fizer a investigação e o resultado das perícias do local for conhecido. Por enquanto sei apenas que o provável responsável por toda essa tragédia é o motorista do caminhão.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.12.2000
Quinta-feira