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ACIDENTE
Tripulação escapa ilesa de naufrágio

Vítimas, que haviam sido levadas para Natal, chegaram ontem ao Recife e passam bem. Capitania dos Portos vai instaurar inquérito para investigar o acidente

A Capitania dos Portos do Recife vai instaurar inquérito, na próxima semana, para apurar o motivo do naufrágio do cargueiro ‘Odisséia’, ocorrido na tarde de anteontem, a 104 milhas do Porto do Recife. O navio vinha do Arquipélago de Fernando de Noronha carregado de lixo para a capital pernambucana, quando naufragou. A tripulação foi resgatada com vida pelo navio da Marinha Graúna e levada à Natal, no Rio Grande do Norte.

As vítimas retornaram ao Recife ontem e passam bem. Segundo o capitão dos portos do Recife, Luiz Villaboim, os dez tripulantes da embarcação vão responder ao inquérito administrativo, que tem um prazo de 90 dias para ser concluído. Ele, porém, não quis adiantar maiores informações.

De acordo com o responsável pela carga da embarcação, Edson Caetano Feitosa, 33 anos, o barco estava transportando 20 toneladas de lixo do Arquipélago para a capital pernambucana, como fazia há um ano. Feitosa contou que o cargueiro saiu da ilha na manhã da segunda-feira rumo ao Porto do Recife e, às 10h30 do dia seguinte, os tripulantes perceberam a entrada de água na casa de máquinas da embarcação, que conseguiu percorrer 196 milhas, antes do acidente. A distância entre Fernando de Noronha e o Porto do Recife é de 300 milhas.

RESGATE - “Eles tentaram tirar a água, mas o volume foi aumentando e as bombas não davam vencimento e eles não conseguiram suportar. Eu imagino o desespero deles”, disse. Então, o comandante identificado apenas como Cabral, fez contato pelo rádio com a Capitania dos Portos do Recife, que acionou a equipe de salvamento para ajudar na localização do barco. O pesqueiro Cosaco foi a primeira embarcação a resgatar as vítimas, que, depois, foram transferidas para o Graúna.

TONELADAS - Segundo Edson Feitosa, a embarcação, pertencente à empresa Fênix, costumava levar para o arquipélago mantimentos, materiais de construção e escolar a cada 15 dias e retornar com o lixo da ilha. O cargueiro tinha capacidade para transportar 250 toneladas. Feitosa afirmou que não havia acontecido nenhum acidente antes com o Odisséia. “Não sei porque aconteceu isso. O barco nunca encalhou nem apresentou problemas antes”, contou. O encarregado pela empresa Fênix, José Everaldo Sampaio, não foi localizado pela reportagem.

Edson Feitosa informou também que a embarcação servia como pesqueiro antes de se transformar em cargueiro, há um ano. “A gente costumava pescar em alto-mar e carregar muitos peixes. Depois, o barco foi transformado em cargueiro e há um ano fazia o percurso Fernando de Noronha/Recife”, falou.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.12.2000
Quinta-feira