BRASÍLIA – Os deputados da CPI da CBF/Nike, que investigam o tráfico de jogadores adolescentes do Brasil para o Exterior, têm fortes indícios de que funcionários do Itamaraty estariam facilitando a transferência desses atletas para jogar em clubes da Europa, muitos deles com passaportes falsos, segundo o presidente da comissão, deputado Aldo Rebello (PCdoB-SP).
O presidente e o relator da CPI (Silvio Torres, PSDB-SP) estiveram com o secretário-geral das Relações Exteriores, Luiz Felipe de Seixas Corrêa, para pedir providências ao Ministério nas investigações. De acordo com Rebello, o secretário afirmou que a diplomacia brasileira vai se empenhar e colaborar com o trabalho da CPI.
DIPLOMATA SUSPEITO – Os deputados também já decidiram convocar o assessor de Chancelaria, Otávio Monteiro de Barros Almeida, que trabalha na embaixada do Brasil em Bruxelas, na Bélgica. Ele é suspeito de colaboração com o esquema montado a partir do Brasil para exportar atletas menores.
Segundo cálculos da CPI, cerca de 40 adolescentes brasileiros se transferiram, nos últimos anos, para o futebol europeu, entrando pela Bélgica com passaportes portugueses falsos.
O Itamaraty vai investigar a denúncia de que Otávio Monteiro de Barros Almeida estaria duplamente envolvido nas irregularidades. De acordo com o deputado Eduardo Campos (PSB-PE), o envolvimento do diplomata foi apontado por empresários de futebol e jogadores com os quais esteve na recente viagem que fez a Bruxelas.
Eduardo Campos informou que Monteiro de Barros negou a acusação, ao ser questionado pelo embaixador brasileiro naquele país, Márcio Dias. Ele se limitou a justificar que ajuda esses jogadores porque tem um coração muito grande, contou o deputado, que disse não acreditar nessa versão.
Os parlamentares querem que o Itamaraty reúna informações na Bélgica, Ítália, França, Holanda, Portugal e Polônia para ajudar a CPI nas descobertas sobre passaportes falsos e as transações suspeitas de jogadores.
Segundo Aldo Rebelo, a atuação da diplomacia brasileira vai obrigar os empresários de futebol brasileiros e clubes europeus a assumir a responsabilidade pelo esquema, já que considera que são eles os principais beneficiados pelas irregularidades. Rebelo quer que a CPI também peça ajuda à Fifa, sobretudo para ter acesso à lista de brasileiros que atuam nas ligas européias.
Segundo o deputado Pedro Celso (PT-DF), há cerca de três mil jogadores brasileiros na Europa, muitos em situação difícil. O uso de passaportes portugueses falsos teria sido constatado no clube francês Saint Etienne, no espanhol Mallorca e nos italianos Vicenza, Udinese e no Milan.