Especialistas mostram como evitar os clássicos conflitos da maior reunião familiar do ano
por MARCIA CEZIMBRA
Agência Globo
A maior reunião familiar do ano pode ser também a mais estressante, caso as disputas natalinas tomem o lugar da festa alegre e afetuosa. O endereço da ceia é a primeira discórdia. De novo na casa da sogra? Será que aquela mulher autoritária não pode abrir mão este ano? Quem levará o prato mais caro?
Há os que pretendem usufruir o máximo e dar o mínimo e os que vão de cara amarrada para deixar claro que odeiam a data. Há a guerra dos pais separados e dos presentes propositalmente mixurucas. E, depois de tanto empenho para celebrar a família, podem sobrar reclamações por toda a ‘árvore genealógica’ do Natal.
A melhor receita, segundo psicanalistas, é se divertir e compartilhar só as alegrias. E há até um novo best-seller americano que ensina o caminho light na vida familiar: Não Faça Tempestade em Copo D’água com a Família, do psicólogo Richard Carlson (Editora Rocco).
A psicanalista Dulce Silveira comenta que o Natal não deve servir de pretexto para disputas antigas, ciúmes, sentimentos de baixa auto-estima ou desejos de vingança.
“Para muitos membros da família, a noite de Natal se transforma num momento de acerto de contas, de comparações de status ou de poder. Seria o momento em que todos na família vão avaliar quem está bem e quem não está. O ideal é o oposto: ir à festa com disposição de trocar afetos e alegrias. Os que se envolvem ou já se envolveram em disputas pessoais devem ser deixados em casa”, diz Dulce.
Os irmãos franceses Alain e Dominique Raymond, chefs do Le Champs Elysées, seguiram o sábio caminho antiestresse e desistiram de reunir no Rio toda a família, espalhada pela França e pela Austrália. No Natal passado, eles conseguiram trazer todos. A ceia foi paradisíaca, a festa maravilhosa, mas houve uma inesperada traição: a da caipirinha, que, depois de momentos de intimidade, ‘derrubou’ vários de seus amigos estrangeiros.
“A caipirinha é traiçoeira. Minha mãe, que não a conhecia, não conseguiu se levantar do sofá. Mas a farra foi ótima e a disputa do próximo Natal já começou. Meu irmão quer todos na Austrália, mas avisei que não vai dar. Eu e Dominique temos muito trabalho nesta época e o Rio é irresistível nas festas de fim de ano”, diz Alain.
UÍSQUE DE CUNHADO – Na casa do coreógrafo Carlinhos de Jesus, tudo acaba em samba até o sol raiar. Ele recebe com prazer cerca de 50 pessoas em sua casa, mas evita duas situações que o deixam estressado: servir os convidados e aturar bêbado. Ele mesmo cuida da música e da excelência da pista de dança.
No Natal passado, porém, quase saiu do sério quando um cunhado tentou abrir o Ballantines que o compositor Chico Buarque lhe havia dado de presente após um ensaio da Mangueira.
“A única pessoa que pode abrir aquela garrafa é o Chico, se um dia vier à minha casa. Não é uísque de cunhado, é de recordação. Uísque de cunhado é Teachers ou Old Eigth. Fora isso, contrato garçons, porque me pedir algo é ofensa grave. Para ir à minha casa, tem que saber abrir a geladeira e se servir sozinho, sem se embriagar, porque bêbado é insuportável”, diz.