Com vários formatos, cores e tamanhos, as velas tornaram-se mania na ambientação da casa e são elementos indispensáveis para as comemorações deste final de milênio
por LUIZA BARROS
Foi-se o tempo em que as velas eram vistas apenas em procissões, ambientes pouco iluminados ou jantares românticos de pombinhos apaixonados. Agora, os bastões de cera e pavio são poderosos elementos de decoração. Em várias cores, formatos e tamanhos, enfeitam quartos, salas e banheiros. Para isso, nem sequer precisam estar com a chama acesa.
“Quando comecei a trabalhar com o produto, as velas eram compradas somente para arranjos e decoração de casamentos. Só eram vistas em castiçais”, lembra Cristiane Acioli, no mercado desde o início da década de 90. Na época, a maioria das velas confeccionadas por ela eram tradicionais, em forma de cilindro ou bola e sempre de espessura muito fina. Envernizadas, tinham um brilho bem característico.
Hoje, Cristiane também comercializa velas em formato de cacto, flores, conchas, peixes, estrelas do mar e peças de xadrez. É o que ela chama de ‘linha artística’. “Qualquer coisa que vier a sua cabeça pode se transformar em vela”, brinca.
Por maior que seja a diversidade das formas e desenhos, o que o público consumidor de velas mais gosta é das de estilo rústico, texturizadas, sem verniz, e com a superfície crespa. As em forma de caixinha, com fitinhas em volta, são uma graça. Um presente charmoso na essência e na própria ‘embalagem’.
Nem artística, nem rústica, tampouco tradicional, os objetos de iluminação sem eletricidade mais ousados e que têm despertado maior frisson não são velas propriamente ditas, mas lamparinas. Definidas pelo dicionário como ‘pequenos discos de pau, cortiça ou metal, que têm no meio um pavio e dão uma luz atenuada’, as lamparinas são uma espécie de vela oca. A chama não é vista e a iluminação fica suave, como uma penumbra. Os lampiões modernos confeccionados por Cristiane têm um diferencial a mais: são quadrados, como caixas.
Além da beleza, as lamparinas também têm a seu favor o fato de poderem ser usadas em ambientes abertos, ao contrário das velas comuns. “O fogo é protegido do vento e o visual fica bem bonito, pois a tocha reflete nas ‘paredes’ das vela”, ensina André Carício, que usou lamparinas na sua Varanda dos Jovens, da Casa Cor 2000.
NATAL – Todos os anos a aquarela de cores natalina se repete: vermelho da vestes do velhinho bonachão que se transformou em ícone da época, verde dos pinheiros – plastificados ou não – e dourado dos arranjos brilhosos, seja em bolas, enfeites de porta ou outros tipos de ‘penduricalhos’. As velas – presença tão certa nas ceias natalinas quanto o peru recheado com fios de ovos – não fogem à regra.
Assim como nada há de muito novo em relação às cores das velas, quando se trata de suas formas, o lugar-comum prevalece. As opções não vão muito além de árvores, estrelas e anjos.
MERCADOS PÚBLICOS – Apesar dos formatos e texturas não serem os mais variados, nada se tem a reclamar dos tamanhos e cores. Sem falar nas vantagens dos preços, bastante atraentes. Assim é a oferta de velas nos mercados públicos da cidade, em especial no de São José. Lá, no box de São Jorge, de Seu Marcos Ione, um pacote com oito velas de número oito (aquelas mais tradicionais, normalmente acesas quando falta luz em casa) custa R$ 1,10. Já as velas de 21 dias, cujo tamanho equivale a mais ou menos três vezes o da sua ‘irmã’ mais conhecida, de sete dias, custam R$ 10 a unidade. Em todos os casos, pode-se escolher entre branco, preto, amarelo, verde, vermelho, azul e até mesmo cor-de-rosa.
Nos mercados, no entanto, os artefatos não têm a decoração como principal razão de ser. Misturadas com santos e artigos religiosos, as velas das prateleiras dos armazéns sairão dali para pagamento de promessas e obrigações. “A maioria das pessoas compra as velas para levar para centros espíritas, mas também tem gente que compra para decoração, principalmente no mês de dezembro”, conta Seu Marcos.
Serviço
Cristiane Acioli: 3361.4230/3471.0348
André Carício: 3466.5944