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JC NEGÓCIOS
Fernando Castilho

A tortura da indiferença

Os amantes costumam dizer que se suporta o ódio – que tem tanta força quanto o amor – mas que não há paixão que resista à indiferença. O governo do Estado nunca amou a Companhia Ferroviária do Nordeste, nem odiou o empresário Benjamin Steinbruch, quando, há alguns anos, era chamado de “o Barão de Mauá do século XX”, mas o governador Jarbas Vasconcelos já avisou a seus auxiliares que não agüenta mais a indiferença do grupo controlador da CFN, que controla a Ferrovia Transnordestina. Ou, pelo menos, seu centenário projeto.

Na verdade, a equipe do governo de Pernambuco até sonha que, na partilha dos bens do descruzamento (ou divórcio) entre ela e a Companhia Siderúrgica do Nordeste, o espólio da CFN fique com a Vale do Rio Doce. Poderia ser mais fácil conversar. Mas sabe que poderá apenas torcer para que os herdeiros em litígio entrem em acordo.

O problema é que a Transnordestina corre o risco de virar para Pernambuco o que a Companhia Siderúrgica do Nordeste virou para o Ceará, um projeto que o governo do Estado se comprometeu a ser sócio, mas que não deslanchou. Como aliás não deslanchou muita coisa que o empresário se propôs a fazer.

Mas em relação à CFN, a coisa está pegando. A companhia não tem sequer um interlocutor qualificado. Não tem nem mais oficina no Estado. No mercado de cargas do Nordeste oriental, o modal ferroviário não é nem mais cotado. Não foi só o projeto da Transnordestina que parou. A CFN praticamente saiu do mercado de cargas de grandes volumes. E o governo não tem com quem falar concretamente.

No caso da interrupção dos trechos em Alagoas, o governo esperava mais interesse dos concessionários. A chuva destruiu mais de 250 quilômetros de estrada ou as tornou intransitáveis, e também não houve demonstração de preocupação com o negócio. É isso que até certo ponto irrita o governador: a empresa não dá qualquer sinal de que está interessada no negócio de carga ferroviária.

E isso, naturalmente, resvala na manifestação de interesse ou de atenção para com a Transnordestina, que acreditem ou não os controladores da CFN, faz parte de um projeto estruturador do Estado de Pernambuco. Mas que, a cada dia, parece mais distante ou condenado a ser mais uma dessas idéias que, de tanto as pessoas ouvirem falar, falam dela simplesmente com indiferença.

Governo deu mais aumento que o mercado

O governo privatizou vários serviços, fala em economia de mercado mas continua uma mãe para as empresas. Apesar da Fipe prever inflação de 4,6% no ano 2000, a energia elétrica aumentou 12,15%, o botijão de gás subiu 18,47%, a conta de telefone fixo subiu 20%, o celular 9,95% e a gasolina aumento 34,32%. Ou seja, todos os preços administrados pelo governo subiram muito mais do que a inflação. Bem que eles poderiam ficar livres de fato. Vai ver que iam subir menos.

Cartão de crédito

No último final de semana mais de 5,1 milhões de operações de compras com cartões Visa e Visa Electron foram realizadas. Mas será no próximo final de semana que vai acontecer o pico deste ano: mais de 6,5 milhões de operações. A Visa estima movimentar, este mês, R$ 3,5 bilhões e fechar o ano 2000 como o melhor de toda a sua história no país.

Bacalhau no Natal

O Nordeste (especialmente Recife e Salvador) já representam o segundo mercado de importação de bacalhau da Noruega no Brasil. E o Natal está virando época de venda. O volume de bacalhau exportado para o país em 2000 vai atingir 27 mil toneladas. Superior ao volume de 99, que foi de 21 mil toneladas. Ou seja, está na ceia de Natal.

Espumantes

A sidra Cereser já não reina absoluta nas mesas do pessoal da baixa renda. Além da disputa com pelo menos mais dois concorrentes, está enfrentando uma linha de espumantes com preços populares que está virando a cabeça do consumidor, que quer colocar alguma coisa semelhante ao champanhe na mesa, sem ser o conhecido Georges Aubert.

BBVA sem o A

O Banco Bilbao Vizcaya e Argentaria mostrou agilidade no cumprimento da decisão do STF que mandou tirar o A depois que o Banco BVA contestou o novo nome na Justiça. À meia-noite sua home page na Internet foi atualizada com o velho BBV, e pela manhã as agências já amanheceram sem o A nas suas placas. Ficou só o azul.

Magalhães diz que PCR tem mais micro na escola

Internauta de carteirinha, o prefeito Roberto Magalhães disse, ontem, que deixa a PCR, ampliando a informatização da rede municipal de ensino: comprou 620 equipamentos tipo Pentium III, nos quais investiu R$ 800 mil.

Guararapes pode virar portão regional

Gente do mercado vê no novo aeroporto a chance do Recife virar portão regional do internacional. Mas o governo tem que trabalhar duro para isso. A começar por fazer aqui a base de todas as conexões para o Norte e Nordeste.

O prefeito Roberto Magalhães acha injusta a cobrança sobre o novo terminal de passageiros feita aqui na coluna, ontem. Segundo ele, o terminal não poderia mesmo receber o Mercury pois não está alfandegado. E não está alfandegado porque só ficou pronto há 72 horas, disse. Mas considera importante a pressão pelo aumento do calado no Porto do Recife.

A partir da segunda quinzena de janeiro, a Unimed passa a operar na sua nova sede. O centro administrativo funcionará na rua Lins Petit, 140, na Ilha do Leite, numa área de 2.300 m².

O pessoal do Imposto de Renda está curioso com os números que a imprensa revela sobre a venda de jogadores no Santa Cruz. Estão grandes demais. A propósito, a BMK Produções e Eventos promoverá nos períodos de 15 a 20 e de 22 a 27 de janeiro o Curso de Gestão e Marketing Esportivo, com o professor José Antônio de Barros Alves, coordenador acadêmico do MBA de Administração Esportiva da FGV. Fones de contato: 3462.6330.

O presidente da Caixa Econômica Federal EmílioCarazzai vai fazer hoje no Recife a comemoração das 1,5 milhão de moradias financiadas pela

Maurício Romão está se revelando bom de leilão de coisa velha do Estado. Esta semana ele fez um leilão e arrecadou R$ 700 mil.

castilho@jc.com.br


Jornal do Commercio
Recife - 21.12.2000
Quinta-feira