O prefeito eleito João Paulo (PT) vai encontrar a PCR com uma dívida total que ultrapassa a R$ 492 milhões. Do atual prefeito Roberto Magalhães (PFL), a herança é de R$ 170 milhões, segundo números divulgados pelo PT
O prefeito eleito João Paulo (PT) vai assumir a Prefeitura, no dia 1º de janeiro, com uma dívida inicial de R$ 492,3 milhões. Esse montante tende a aumentar com o somatório de dívidas de duas empresas municipais (Emprel e Urb) que ainda não foram repassadas para a equipe do Governo petista. Mas estão incluídos os R$ 330 milhões da dívida fundada (oriunda de várias administrações), que será paga no decorrer de 20 anos. Ou seja, da administração do prefeito Roberto Magalhães (PFL), João Paulo irá herdar algo em torno de 170 milhões, pouco mais de 20% do Orçamento estimado para a Prefeitura em 2001: R$ 806 milhões.
“É um cenário financeiro preocupante, não esperávamos toda essa quantia”, comentou ontem João Paulo, durante o seminário que participa, até hoje, com assessores de 1º e 2º escalões, no Hotel Campestre, em Aldeia. Desmiuçando os números, o futuro secretário de Finanças, Reginaldo Muniz, explicou que a dívida fundada – decorrente de empréstimos feitos a organismos internacionais – não deverá atrapalhar os planos do futuro Governo. “Ela representa 6% da receita do município. Já estava na previsão”.
O que o futuro secretário ressaltou como preocupante são as dívidas de empresas municipais e da administração indireta. Só na Emlurb, o valor é de R$ 88 milhões, referentes a FGTS, ISS e Pasep; na Csurb, 2,3 milhões; e na administração direta, R$ 72 milhões. Muniz destacou que ainda não foi informado sobre as dívidas que ficarão na Urb e na Emprel.
Dos R$ 72 milhões de débitos da administração direta, R$ 33 milhões são referentes ao Ipsep; R$ 23, Fundef; e R$ 16, INSS. Tanto no caso do INSS como Fundef, a PCR tem liminar judicial para não pagar.
Para minimizar o impacto, Reginaldo Muniz traçou como prioridade negociar as dívidas e prorrogá-las. Além do mais, há uma proposta para otimizar o Orçamento, ‘forçando’ os devedores da PCR a quitar seus débitos, assim como fazer uma revisão em todos os contratos. Hoje à tarde, João Paulo encerra o seminário, quando será apresentada uma radiografia de todas as pastas e as diretrizes para os primeiros cem dias de Governo.