BRASÍLIA – A cúpula do PFL tentará, na próxima semana, convencer o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), a aceitar que o partido formalize um acordo com o PMDB para a eleição do presidente do Senado, independentemente do nome do candidato. A reunião com ACM será no dia 27, quando os parlamentares estarão em Brasília para a votação do Orçamento de 2001.
Na avaliação de deputados do PFL, a concordância de ACM poderia revigorar a candidatura do líder do partido na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), à sucessão do deputado Michel Temer (PMDB-SP) na presidência da Casa, e manteria a fatia de poder do partido no tripé (PMDB, PSDB e PFL), que dá sustentação ao Governo Fernando Henrique Cardoso no Congresso Nacional.
Depois de um entendimento entre PFL e PMDB no Senado, os pefelistas acreditam que o presidente Fernando Henrique Cardoso poderia entrar no circuito para tornar viável um acordo na Câmara em favor da eleição de Inocêncio. Se ACM acatar a proposta, entraria em curso outra negociação na base aliada, desta vez para convencer o senador Jáder Barbalho (PMDB-PA) a desistir da disputa para a presidência do Senado, abrindo, assim, espaço para outro senador da bancada peemedebista.
Mas todas essas propostas em discussão no PFL só poderão ser concretizadas com a trégua de ACM na briga pessoal com Jáder, e a interferência de Fernando Henrique no processo sucessório do Congresso, já que o líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), já afirmou que sua candidatura “é irreversível”. Aécio tem, inclusive, ampliado sua base eleitoral entre os partidos de oposição. “Não há possibilidade de Aécio retirar sua candidatura”, afirmou o líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE).
ATAQUE – Aécio, inclusive, foi alvo ontem de duras críticas do presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). O senador catarinense reagiu com irritação ao acordo feito pelo tucano, que aceitou retardar a tramitação da reforma política na Câmara em troca do apoio do PSB à sua candidatura para a presidência da Casa. Bornhausen reclamou diretamente para o senador Sérgio Machado, ressaltando que o próprio Aécio fizera um acordo com o PFL para dar prioridade à reforma política, em sucessivas reuniões entre os partidos da base aliada com o vice-presidente da República, Marco Maciel. “Ele está faltando com a palavra”, disse Bornhausen.