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ALIANÇA PMDB/PFL II
Prefeito afirma que racha no PMDB beneficiará Dilson

Numa tentativa de mexer com os ‘brios’ da bancada governista e reverter o atual quadro de disputa, o prefeito do Recife, Roberto Magalhães (PFL), disse que o racha interno do grupo levará o vereador Dilson Peixoto (PT) à Presidência da Câmara Municipal. Em seguida, com a chegada do petista ao almoço de confraternização organizado pelos secretários municipais, ontem, Magalhães teceu rasgados elogios ao comportamento do petista ao longo dos três anos e meio que antecederam a eleição. As declarações do prefeito provocaram ciúmes em todos os parlamentares governistas que foram cumprimentá-lo, principalmente entre os candidatos a presidente da Casa: Liberato Costa Júnior e José Neves, ambos do PMDB.

“Durante toda a minha gestão, Dilson sempre foi um interlocutor freqüente. Mais do que os próprios líderes. É um oposicionista que dialogou comigo e mostrou que é democrático”, admitiu. O prefeito reconheceu que a candidatura de Dilson Peixoto “está solta”, e que ele não pode “fazer nada”. “Se tivesse sido reeleito, resolveria fácil o problema. Com o poder, não haveria defecções. Com a derrota, o poder de influenciar é menor. Poderia ajudar a solucionar, mas a bancada não soube escolher um candidato único”, ponderou o prefeito.

Ele confessou que procurou Liberato e José Neves em busca de uma solução, mas não conseguiu chegar a um consenso. “Propus uma prévia e ele (Liberato) não aceitou. Zé Neves, por sua vez, não abre mão. Hoje nós perdemos a Mesa. Temos dois candidatos e, assim, não podemos ganhar. A bancada vai perder porque não se uniu”, sentenciou.

AVANÇO – Mas os dois peemedebistas procuraram minimizar a situação. “Ainda não houve a eleição. Ele (Dilson) só é presidente quando tiver 21 votos. Doutor Jarbas Vasconcelos está fechado comigo. É o PMDB na Câmara e o PFL na Assembléia. Sou o avanço e ele (José Neves) a rejeição”, falou Liberato Costa Júnior, referindo-se à candidatura do aliado e insinuando que o governador defende o seu nome para a presidência do legislativo municipal.

José Neves contesta Liberato, e diz que a candidatura dele está “viabilizada”, deixando claro que poderá ir à plenário bater chapa. O secretário estadual de Governo e presidente estadual do PMDB, Dorany Sampaio, não quis fazer comentários e, ao ser abordado pelos repórteres sobre o assunto, mostrou-se bastante irritado.

O secretário municipal de Habitação, Augusto Coutinho (PFL), escalado para apagar o ‘fogo’, ainda não conseguiu a unidade. “Conseguimos que o PFL retirasse os seus candidatos, e que o vereador Luiz Vidal (PSDC) abrisse mão de ser o candidato dos pequenos partidos. Agora o impasse está no PMDB”, lastimou-se.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.12.2000
Quinta-feira