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ROTEIRO Conheça as ruas mais nobres do País
POR FABIANE CAVALCANTI Primeiro, foi D. Pedro. Depois, o seu filho. Com o tempo, Alberto Santos Dumont, Irineu Evangelista de Souza, Rui Barbosa... Não se admire se o próximo a cair nas graças de Petrópolis for você. Hoje, além do clima ameno que seduziu os imperadores, o pai da aviação, o Barão de Mauá e o Águia de Haia, a cidade mantém como atração tudo o que esses ilustres moradores deixaram por lá. São casas, jardins e acervos que fazem deste município situado na Serra dos Órgãos, a 67 quilômetros do Rio de Janeiro, um passeio imperdível para quem vai à capital fluminense com tempo extra neste verão. Se você gosta de trazer na bagagem um pouco de história, cultura e roupas novas (o pólo têxtil de Petrópolis é irresistível), vale a pena deixar a Cidade Maravilhosa por pelo menos dois dias. Em um, poderá conhecer as principais atrações históricas petropolitanas. No outro, olhar os arredores e gastar seus reais na famosa Rua Teresa. De quebra, agora em dezembro, poderá assistir a concertos de corais que acontecem diariamente. Só não verá a tradicional iluminação natalina, cancelada por contenção de despesas da prefeitura. À noite, deixe algumas horas num dos bons restaurantes de Itaipava, município a 15 quilômetros do centro de Petropólis. Atraidos pelo clima, chefs de cozinha se instalaram por lá e movimentam cantinas italianas, bistrôs franceses, adegas portuguesas e uma dezena de lugares especiais feitos para quem sabe apreciar uma iguaria. Faça como os ilustres, fuja um pouco do calor do Rio e se deixe seduzir por Petrópolis. As principais ruas históricas da Cidade Imperial, no passado sede da Fazenda do Córrego Seco (adquirida por Dom Pedro I em 1830), ficam num perímetro de dois quilômetros e podem ser percorridas tranqüilamente a pé. Mas é preciso disposição, pois são pelo menos sete edificações cuja entrada e olhada no acervo são obrigatórias. A pé, também evitam-se os inusitados engarrafamentos nas horas de rush. Longas filas se formam nas ruas estreitas do centro, projetadas pelo engenheiro Júlio Frederico Koeler para carruagens em meados do século 19. Buzinas e motoristas estressados fazem um curioso contraste com a arquitetura de inspiração européia e as charretes que transportam turistas. As vitórias, veículos do século 19 puxados por dois cavalos, são uma opção para quem não quer caminhar. O passeio custa de R$ 20 a R$ 50, dependendo do roteiro. Há ainda o ônibus circular que faz o tour pelos principais atrativos do centro. Pagando R$ 2, você pode embarcar cinco vezes no mesmo dia. No passeio, vale observar a preocupação de Koeler ao desenhar o centro urbano a pedido de Dom Pedro II. Foram respeitados os percursos dos rios Quitandinha, Palatinado e Piabanha, que cortam a cidade, a primeira projetada do País. Pequenas pontes, arquitetura alemã, temperaturas entre 14 e 23 graus e uma arborização bem-cuidada são o suficiente para você se sentir numa cidadezinha européia. Com um mapa na mão, comece seu roteiro logo cedo pela Catedral São Pedro de Alcântara, no final da Avenida Koeler. Dividida pelo Rio Quitandinha e cheia de pontes de madeira, a avenida tem o mais belo conjunto arquitetônico da cidade. Em estilo neogótico francês, a catedral possui uma enorme torre, difícil de ser enquadrada nas lentes dos turistas. Guarda os restos mortais de D. Pedro II, Dona Teresa Cristina, a Princesa Isabel e o Conde DEu. Saindo da catedral, à direita, fica a casa onde morou a Princesa Isabel e sua família, até a Proclamação da República. Siga pela mesma calçada em direção à Praça da Liberdade. No final da via, dobre à direita, pegue a Avenida Roberto Silveira e, depois, a Rua Padre Siqueira, apreciando o casario bem conservado. Atravessando a 2ª ponte à esquerda, alcança-se a Casa do Barão de Mauá, hoje sede da Prefeitura de Petrópolis. É possível ver a sala de jantar do barão, onde ainda se conserva o piso original em madeira parquetada com desenhos de grãos de café e símbolos da maçonaria. Restam alguns móveis, que escaparam da venda após a falência do empresário em 1878. Seguindo à direita pela Rua Alfredo Pachá, vê-se o famoso Palácio de Cristal, construção pré-moldada em ferro fundido que reproduz o Crystal Palace, de Londres. Fica no meio de um jardim e tem loja de suvenires, mas só vale a pena se demorar por lá se estiver acontecendo alguma apresentação cultural. (F.C.) |
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