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AÇUCAR
A DOCE GUERRA DAS MARCAS

Angela Fernanda Belfort

A cada dia aparecem mais marcas de açúcar. A alteração que está ocorrendo nas gôndolas dos supermercados é reflexo de uma mudança que se intensificou, em média, nos últimos cinco anos, quando as usinas decidiram entrar com mais força no varejo. De todo o açúcar que é produzido no Estado, há estimativas de que 35% a 40% sejam destinados ao mercado interno, segundo números do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar).

Isso representa um total de 218 mil toneladas de açúcar que estão sendo comercializadas no varejo por safra. “No início desta década, a venda do produto no varejo não correspondia a 10% da produção”, comentou o presidente executivo do Sindaçúcar, Renato Cunha. No Estado, existem pelo menos sete usinas investindo na comercialização do açúcar no mercado interno. “Tem que partir para o varejo, porque o futuro do açúcar está aí”, disse o presidente do Grupo Petribú, Jorge Petribú.

Há cinco anos, as usinas do Grupo Petribú (Petribú e São José) começaram a vender para o varejo. Hoje, esse tipo de venda responde por 10% de todo o açúcar que é comercializado pelas companhias. Nos últimos cinco anos, as empresas investiram R$ 1 milhão em equipamentos e divulgação.

“A recuperação desse mercado é importante, porque evita de ter açúcar de outra região no comércio local”, comentou o diretor comercial do Grupo Tavares de Melo, Eduardo Tavares de Melo. As usinas do grupo trabalham com o varejo desde 1989 e vão relançar a marca Estrela na praça local (Ver matéria ao lado).

Segundo vários empresários, o varejo é um setor que as usinas têm que se especializarem para obter sucesso. “É um mercado que demanda mais serviço, o produto é entregue pronto e embalado no ponto de venda, tem que se arcar com a propaganda”, comentou Eduardo Tavares de Melo.

Esse mercado, mais exigente fez, com que as empresas também modificassem a sua estrutura. As usinas que trabalham com o varejo têm departamento de cobrança, promotores e vendedores. Uma mudança grande para muitas companhias que até o começo desta década vendiam o seu produto à granel, sem contar a parte que era comercializada junto ao antigo Instituto do Açúcar e do Álcool.

Somente a Usina Alvorada tem 14 promotores para cuidar das vendas do açúcar de nome homônimo nos supermercados Bompreço instalados no Grande Recife. “Para vender no varejo, as empresas têm que estar sempre investindo e criando um diferencial para causar um impacto visual no consumidor”, afirmou o diretor da Usina Alvorada, Geraldo Uchôa Filho.

A Alvorada investiu R$ 900 mil nos últimos oito meses para transferir o seu galpão de empacotamento para o Grande Recife. Os recursos foram empregados na construção do galpão e na instalação das máquinas. “Queremos ficar mais competitivos, próximos do mercado e diminuir o preço do frete”, contou Geraldo Uchoa Filho.

Apesar do aumento dos custos, as empresas que estão investindo no varejo também estão agregando mais valor ao açúcar. Pelos cálculos dos empresários, isso pode significar um acréscimo de até 10% na receita das usinas.

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Jornal do Commercio
Recife - 22.10.2000
Domingo