
CINEMA III
Dinossauro
ganha sotaque brasileiro caprichado por Kleber Mendonça Filho*
ENVIADO ESPECIAL
SÃO PAULO
Nos últimos anos, distribuidoras de produções infantis
estrangeiras têm investido em vozes de estrelas
brasileiras, repetindo uma estratégia de marketing
utilizada nos EUA. A idéia é fazer o público ver
superastros nos filmes de animação. Parte do sucesso de
Aladim (1993) deu-se aos malabarismos vocais de Robin
Williams como o gênio da lâmpada, assim como Tom Hanks
e Woody Allen também deixaram marcas em Toy Story (1996)
e FormiguinhaZ (1998). No Brasil, dublagens com globais
como Eduardo Moscovis (Tarzan), Rodrigo Santoro e Miguel
Falabella (Stuart Little) têm sido vendidas com destaque
cada vez maior na mídia. Dinossauro, da Disney, é o
mais novo exemplo desse tipo de trabalho e seu elenco
brasileiro foi apresentado terça-feira, na capital
paulista.
O cast principal de vozes
brasileiras para Dinossauro é composto por Malu Mader,
Fábio Assunção, Hebe Camargo e Nair Bello. Os quatro
participaram de uma entrevista coletiva junto ao diretor
de dublagens da Disney, Garcia Jr. (voz de He-Man e
McGyver), que roubou a cena apresentando na coletiva de
imprensa algumas das peculiaridades do complexo processo
de dublagem.
Dinossauro,
superprodução que, segundo relatos da indústria, pode
ter custado mais de U$ 200 milhões, será desovada no
próximo dia 30 em aproximadamente 320 cinemas
brasileiros, quando uma gigantesca campanha de
lançamento deverá ter chegado ao seu auge. A campanha
envolve associação constante dos astros brasileiros ao
filme. Num dos comerciais, Malu Mader sugere
carinhosamente ao telespectador que vá ao cinema e
leve a sua família ou veja o filme e ouça também
Malu Mader.
Dinossauro conta uma
história de luta pela sobrevivência ambientada 65
milhões de anos atrás e mistura, de maneira
revolucionária, imagens reais (live action) com
personagens gerados por computador. O número de cópias
lançadas é recorde (Armageddon detinha o recorde
anterior). Desse número, apenas 10% das cópias serão
legendadas. Isso revela o interesse do próprio
público que, cada vez mais, vê as versões dubladas
Disney como uma melhor opção, diz Garcia Jr.
Rodrigo Saturnino Braga, responsável pela Buena Vista
International no Brasil, acredita que o filme pode chegar
à casa dos três ou quatro milhões de espectadores,
número semelhante ao obtido por Tarzan, ano passado.
Dinossauro terá as melhores condições possíveis
para um bom desempenho.
* O jornalista viajou
à convite da Buena Vista Internacional
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