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IHENE
Saúde suspende interdição parcial de banco de sangue

A Secretaria de Saúde do Estado suspendeu ontem a interdição parcial do Instituto de Hematologia do Nordeste (Ihene), que estava parado desde o dia 17 de maio. O relatório da Vigilância Sanitária concluiu que o banco de sangue corrigiu as irregularidades que motivaram a medida, afastando o risco iminente de danos à saúde dos pacientes. O Ihene foi interditado sob a acusação de fornecer sangue divergente ao do receptador sem conhecimento dos médicos. O banco de sangue voltou a funcionar ainda ontem.

“A medida cautelar está suspensa, mas o processo administrativo sanitário continua”, explicou o secretário de Saúde Guilherme Robalinho, referindo-se a investigação que está sendo feita pela Vigilância Sanitária. O Ihene continua sujeito à advertência, nova interdição, multa que varia de R$ 2 mil a R$ 200 mil e até ao cancelamento da licença, se ficar comprovado que dificultou a fiscalização da Vigilância e que houve má-fé nas transfusões feitas em 30 pacientes.

Segundo Guilherme Robalinho, o fato do Ihene ter reconhecido que havia irregularidades no controle das transfusões foi a prova concreta de que a interdição foi uma medida correta. Robalinho adiantou que os cinco casos de pessoas que morreram após receber sangue do Ihene continuam sendo investigados por uma equipe de médicos da Vigilância Epidemiológica.

Para voltar a funcionar, o Ihene teve que implantar um sistema informatizado com mecanismo de bloqueio para identificar erros de digitação e impedir a transfusão de sangue incompatível e criar um livro de registro de doadores, receptadores e transferência de produtos. “Nós vamos intensificar a fiscalização e o Ihene terá que fornecer relatórios mensais de transfusão e de ocorrência de reações transfusionais”, afirmou o diretor de Vigilância Sanitária, Jaime Brito. Ele revelou que o banco de sangue não colocava nos prontuários dos pacientes, nem o nome do doador, nem o tipo de sangue doado.

O diretor do Ihene, Clemente Tagliari, declarou não estar surpreso com a decisão da Secretaria de Saúde. “Desde o começo afirmei que tudo não passou de um erro de digitação”, lembrou, assegurando que a interdição foi motivada por excesso de zelo da Vigilância Sanitária. O diretor garantiu que já recebeu ontem solitação de sangue por parte de hospitais, mas os doadores ainda não apareceram. Ele não crer que o Ihene venha a sofrer novas sanções no processo administrativo.

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Jornal do Commercio
Recife - 23.06.2000
Sexta-feira