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Mudança para melhor A inauguração da Ponte Poeta Joaquim Cardozo vem completar a primeira etapa do complexo viário compreendendo os bairros do Coque e dos Coelhos, as ilhas do Leite, Joana Bezerra e do Retiro. Ela reforça a marca da administração Roberto Magalhães na PCR. A segunda etapa, que se estende à Ilha do Retiro, já teve suas obras iniciadas, com a construção do Túnel Chico Science; e deve prosseguir, em 2001, com uma ponte sobre o Capibaribe ligando as ilhas Joana Bezerra e do Retiro. Todas essas obras são de importância máxima para aliviar a penosa situação do trânsito de veículos em nossa cidade; como também para possibilitar a revitalização de áreas mortas do ponto de vista urbanístico. Não devemos, contudo, esquecer que somente uma nova e moderna política de transporte coletivo urbano é que poderá resolver o problema dos engarrafamentos sem fim. Como ocorreu em outras grandes cidades do mundo, e continua acontecendo, as melhorias que a PCR está promovendo em bairros há anos abandonados a sua própria sorte estão criando uma nova mentalidade no recifense. Muita gente continua enchendo as ruas de sujeira, jogando lixo nos rios, canais e lagoas, até no mar; mas já se pode notar uma conscientização das pessoas e comunidades quanto à necessidade e importância de ter residências e bairros bonitos, limpos, saudáveis. Morar bem (não necessariamente em bairros e condomínios ricos) levanta o moral, faz as pessoas se sentirem satisfeitas, e até orgulhosas, com a qualidade e atrações de sua comunidade, de sua área, de sua região. A imprensa e outros meios de comunicação têm divulgado ultimamente muitas iniciativas no sentido de recuperar, valorizar, conservar bem, espaços urbanos condenados à decadência por falta de cuidado de moradores e poderes públicos. Animados e motivados com a atenção que a PCR está dando à urbanização e revitalização de diversas áreas do Recife; a pontes, monumentos e outras obras tão características de nossa capital; cidadãos têm se reunido para cuidar de bens públicos de sua cidade, mostrando determinação de colaborar no trabalho e solicitando o apoio técnico, e financeiro, do poder público municipal. Em Apipucos, por exemplo, antigos moradores propuseram à PCR a recuperação da praça do arrabalde (como se dizia antigamente). Enquanto isso, na Câmara Municipal, o vereador Luiz Helvecio propõe projeto de lei para a criação de um Plano de Conservação e Avaliação Ambiental da Calha do Rio Capibaribe; e espera vê-la aprovada por seus pares ainda este ano. Como sabemos, ao longo das últimas décadas, o velho cão sem plumas de João Cabral completou sua transformação em esgoto a céu aberto de vários bairros da cidade; não bastassem muitas outras agressões que já sofreu e continua sofrendo, como aterros indiscriminados, destruição de manguezais, cortes de braços, desmatamento. O referido projeto é um sinal de que a sociedade recifense está despertando para a preservação de seu rio namorado. Os jornais estampam outras boas novas para a nossa tão sofrida cidade. No entorno do Açude de Apipucos, ganharemos mais um parque. Em tempo, antes que a especulação imobiliária leve a melhor, como está levando nos bairros vizinhos de Casa Forte e do Poço da Panela; aterre o resto do açude para a construção de mansões de mau gosto e mais edifícios. O Forte do Buraco, entre Olinda e Recife, foi redescoberto por arqueólogos, arquitetos e historiadores. A construção holandesa, do século 17, está em ruínas e cercada de lixo. Conseqüência de um erro grosseiro do próprio governo federal, que fez destombar o imóvel para que a Marinha o dinamitasse, há uns 50 anos, para construir uma base naval; afinal edificada em Natal. Em um país mais cioso de sua memória, de sua história, a base poderia ser construída sem a destruição do forte. Outros fatos positivos,
ligados a ações públicas e à conscientização da
população: uma área de 11 hectares de Mata Atlântica,
em Sucupira, no Grande Recife, está sendo defendida, e
vai ser uma unidade de conservação e sediar um jardim
botânico (atenção: a mata está ameaçada por uma
invasão em suas bordas, num terreno em declive);
trabalho feito pela UFPE e a Secretaria de Planejamento
da PCR mostra que o Recife tem ainda 30% de seu
território com áreas livres. Ainda: a Avenida Caxangá
vai afinal ser recuperada e civilizada. Aos poucos, mas
decididamente, se novos governos não mudarem essa
política, vamos chegar aonde desejamos. |
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