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COMPORTAMENTO III
Enquanto as mulheres lêem Caras, os homens curtem a última Playboy

No meio do ti-ti-ti que impera entre tesouras, esmaltes, mousses e chapinhas, está o homem. Perplexo? Não, tão confortável e falante quanto qualquer mulher. Se é segunda-feira e ele chega ao salão, o assunto não é outro: futebol. “Ou alguma mulher gostosona que tenha passado no Fantástico”, diz o cabeleireiro Fernando Bezerra, há seis anos trabalhando exclusivamente com corte de cabelos masculinos.

Fernando entrega: no salão onde trabalha, o Ricardo e Riva, que possui 60% do seu público formado por homens, a briga é grande quando chega a Playboy do mês. “Se ainda não compramos, eles reclamam. Não pode faltar mesmo”. Democracia pura: a revista divide pacificamente espaço com as publicações de televisão, de beleza e de fofoca, tão historicamente procuradas pelas mulheres.

Já o programa de Ana Maria Braga, que pode ser visto por quem procura o salão à tarde, causa protestos entre os rapazes. O próprio Fernando diz não apreciar a loira e seu Louro José. “É muito chato, a gente vê porque é o jeito”, diz.

No Evelyn Cáceres, também é constante a presença masculina. Os homens fazem unhas, cortam cabelos, entregam-se às mãos das esteticistas e massagistas. Uma delas é Ana Paula Leal Pinto, que realiza massagens faciais e corporais. Ana já atuou, diversas vezes, como terapeuta de rapazes e senhores que chegam à sua sala cansados e deprimidos. “É interessante: os mais novos perguntam sobre a minha vida. Os mais velhos falam mais deles mesmos”, conta.

Cantada, diz ela, não é tão comum assim. No relaxamento da massagem, muita gente acaba mesmo é dormindo. “Às vezes, escuto os roncos do meu escritório”, brinca a dona do salão, Evelyn Cáceres. As mulheres, quando estão nas mãos de Ana, não perdoam o sexo oposto. “Elas têm reclamado muito. Ou falta homem ou, quando aparece, não quer compromisso. É um problema”. (F.M.)

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Jornal do Commercio
Recife - 18.06.2000
Domingo