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PREVENÇÃO A cultura popular a serviço da saúde Através das brincadeiras de Mateus e Catirina, personagens tradicionais dos festejos do bumba-meu-boi, a cultura popular vem atuando de forma intensa na prevenção da Aids no interior de Pernambuco. Os tipos engraçados, como Bastião e o Capitão, em seu cavalo-marinho, juntam-se a outros personagens presentes no cotidiano do povo, como o padre e o médico, para, ao mesmo tempo, divertir e informar a população sobre a doença, que continua a se propagar, apresentando um avanço preocupante entre as mulheres. O projeto Pegapacapá, realizado há um ano e meio por profissionais médicos e sanitaristas, com o apoio da Fundação MacArthur e da Coordenação de Pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas de Pernambuco, vem utilizando essa estratégia para conscientizar a população sobre os cuidados com a saúde. O principal mediador é o grupo cultural O Boi da Macuca, um bumba-meu-boi originário do Agreste do Estado, ao mesmo tempo objeto e instrumento das atividades de prevenção. O trabalho está sendo desenvolvido mensalmente nos distritos de Correntes, em Poço Comprido, e Palmerina, na Baixa Grande, localizados a cerca de 250 quilômetros da capital. Sentimos algumas dificuldades em reunir a população rural, que se encontra dispersa, em sítios. Mas, com muito barulho e irreverência, conseguimos atrair as pessoas e passar nossa mensagem, diz o médico pesquisador Otávio Valença, coordenador do projeto. Para os artistas, o contato com os programas de prevenção é altamente estimulante. "Estamos conseguindo desenvolver a cultura de uma forma mais ampla e conscientizadora", explica o idealizador José Oliveira Rocha, ou Zé da Macuca, como é mais conhecido. Ele acrescenta, no entanto, que essa relação não deve exaltar a saúde em detrimento da arte. As manifestações culturais precisam ser resguardadas em suas características e espontaneidade. O Boi tem de contribuir com o projeto social, mas permanecer brincante. Cabe aos responsáveis pela saúde do povo conseguir incorporar as informações às brincadeiras de rua. FALTA INFORMAÇÃO O crescimento do número de vítimas da Aids entre as camadas mais pobres e a chegada da doença em pequenos e médios municípios do interior está exigindo mudanças nas campanhas de prevenção da doença. Dos 185 municípios de pernambuco, 132 têm pelo menos um caso notificado. A verdade é que a Aids tem um vírus transmissor, o HIV, mas sua multiplicação se dá principalmente em ambientes de preconceito e desinformação. No Brasil, estima-se que 500 mil pessoas estão infectadas pelo vírus. Destas, 98% não sabem que estão contaminadas, segundo dados do Ministério da Saúde. "Está cada vez mais claro que a Aids não é uma doença de certos grupos de risco. Ela afeta e pode matar homens e mulheres, sejam homossexuais ou heterossexuais, velhos, jovens ou crianças, negros ou brancos, ricos ou pobres, promíscuos ou inexperientes. O que existe são comportamentos de risco, ressalta François Figueirôa, coordenador do Programa DST/Aids da Secretaria Estadual de Saúde. Dentro do programa, várias ações sócio-educativas voltadas para a prevenção das DSTs/Aids estão sendo realizadas em todo o Estado, intensificando-se no interior sob dois aspectos. O primeiro envolve a aprendizagem sobre a doença, seus efeitos e o restabelecimento da saúde; o segundo incentiva a própria comunidade a buscar em seu meio a melhor forma de atuar, através da formação de agentes multiplicadores de informação. Segundo Otávio Valença, o circuito atual da proliferação da Aids está na relação heterossexual, sendo as mulheres casadas as grandes vítimas, que contraem o vírus com os próprios maridos. Se na década de 80 a proporção de mulheres infectadas era de uma para cada 13 homens, este ano já chegou a uma para cada dois homens, de acordo com o Ministério da Saúde. Dentro desta realidade, nossas apresentações e oficinas são mais direcionadas à conscientização do público masculino. Tentamos mostrar a importância do uso da camisinha no casamento. O Pegapacapá está concorrendo ao prêmio nacional Sheila Cortopassi de Oliveira, na categoria ação social. (J.M.) Serviço |
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