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PREVENÇÃO II
Projeto Pegapacá incentiva artistas

Todo maquiado e usando roupas coloridas, levando apenas uma maleta na mão e muito entusiasmo, o ator Francisco Wellington precisou apenas de alguns segundos para chamar a atenção de transeuntes que tranqüilamente circulavam pelo centro da cidade no final de maio. Em forma de poesia de cordel, Wellington, ou melhor, ‘o Rapaz da Rabeca’ apresentou ao público ali presente personagens saídos de uma fábula popular, aproveitando para passar orientações sobre a prevenção da Aids.

Em divulgação no Recife a convite do projeto Pegapacapá, a encenação faz parte de um espetáculo itinerante, realizado no Ceará desde 1997, através do programa Teatro de Rua contra Aids. Com texto de José Mapurunga, um dos cordelistas mais conceituados da região, a apresentação é, na verdade, uma ampla ação solidária e democrática em prol da saúde. “A linguagem popular do espetáculo traz personagens fortes e presentes no codidiano das pessoas, ampliando a absorção da sua mensagem informativa, ao mesmo tempo em que diverte e faz sonhar”, explica Wellington.

Sob a coordenação do Instituto de Projetos e Investigações em Saúde e Desenvolvimento Social (ISDS), a peça O Rapaz da Rabeca e a Moça da Camisinha é apenas uma pequena mostra do que vem sendo desenvolvido naquele Estado. Seja através da arte popular, do teatro ou dos programas de rádio (através do projeto Radialistas contra a Aids), a iniciativa vem despertando forças adormecidas no setor artítico e conseguindo apoio e recursos de entidades privadas e públicas, como a Secretaria da Saúde do Estado e as prefeituras de alguns municípios cearences.

Os resultados começam a aparecer. Com três anos de atividades ininterruptas, repertório de seis diferentes espetáculos, 800 apresentações e três encontros estaduais, o projeto já envolve uma rede de 30 grupos de teatro de diferentes regiões do Ceará, que são permanentemente estimulados a desenvolver espetáculos de rua sobre temas ligados à saúde sexual e reprodutiva, em especial às DST/Aids. “Aí talvez esteja a resposta para os rumos do teatro neste final e começo de milênio. Em vez de um teatro comercial a serviço do mercado e do dinheiro, um teatro artístico, estreitamente ligado à vida, comprometido com o destino do ser humano”, destaca Ranulfo Cardoso, coordenador das ações populares do ISDS.

A filosofia do projeto se resume na valorização e estímulo à cultura popular como estratégia de aproximação com o público ouvinte, tornando mais lúdica, atraente e criativa o processo de informação, prevenção e manutenção da saúde. Nesse trabalho, segundo os organizadores, a informação tem de levar em conta as realidades locais e a mobilização comunitária, porque sem uma verdadeira participação dos mais diversos setores da sociedade é inútil tentar controlar qualquer epidemia. (J.M.)

Serviço
ISDS - F. (85)281.7799

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Jornal do Commercio
Recife - 18.06.2000
Domingo