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NEGÓCIOS
Embratel parte para mercado de soluções de segurança

por Manuela Allain
mallain@jc.com.br

O Brasil parece o paraíso dos hackers. Das 200 maiores empresas que operam no País, apenas 5% têm softwares de detecção de invasores em suas redes de comunicação. Uma quantia inexpressiva, considerando que 67,5% das companhias entrevistadas registraram invasões nos últimos 12 meses.

O dado mais preocupante da pesquisa é que 14,5% das empresas “Top” dizem não ter interesse nesse tipo de investimento, deixando expostas informações confidenciais do negócio e também de seus clientes.

Os dados foram divulgados pela Internet Security Systems (ISS), multinacional de origem norte-americana e nova parceira da Embratel para soluções terceirizáveis em segurança, semana passada, durante etapa do Road Show Nacional de Segurança, no Recife Lucsim Palace.

O evento passou por 12 capitais brasileiras, mostrando, inclusive, como é fácil invadir sistemas e se tornar um pirata do ciberespaço. O objetivo da aula, segundo César Bernardo, gerente de produto da multinacional, é conscientizar a platéia de que não adianta ter tecnologia de ponta e a melhor equipe, se não houver comprometimento para prevenir e combater invasões à rede.

“Aquela imagem de que os hackers são pessoas extremamente estudiosas é um estereótipo. Hoje qualquer um pode bancar o hacker, basta ter as ferramentas certas. E a maioria delas está disponível na Web”, aponta.

Alarmada com o resultado da pesquisa e, ao mesmo tempo estimulada com as possibilidades de lucro nesse mercado, a Embratel resolveu apostar na criação de um centro tecnológico powered by ISS. Com sede no Rio de Janeiro e um time de 14 especialistas, o novo núcleo de serviços da Embratel começa a funcionar em julho. Até dezembro, a expectativa é ampliar esse quadro para 40 experts.

A unidade vai comercializar propostas de segurança para empresas de médio e grande portes, com tráfego de dados via intranet (rede interna), extranet (rede externa para comunicação com parceiros, clientes, distribuidores e/ou fornecedores) e Internet.

Os custos são variados. “Tivemos o caso de uma empresa no Centro-Oeste, por exemplo, que só tem quatro computadores. Mas o que ela tem dentro das máquinas é tão valioso que precisou fazer um investimento de US$ 40 mil”, conta César Bernardo, sem revelar nomes. Ele calcula que, com a terceirização através da Embratel, os custos para os clientes sejam reduzidos em até 30%.

DETETIVE – São soluções de gerenciamento remoto que incluem firewalls (sistema de proteção contra ameaças externas, vindas de outras redes como a Internet), redes privadas virtuais (VPNS), roteadores, antivírus, filtragem de URLs, criptografia, detecção de invasões, política de segurança, análise de riscos e certificação.

Com o pacote de serviços Embratel/ISS, outra vantagem se abre para as pontocoms brasileiras: a perspectiva de não amargar uma crise e decretar falência em conseqüência de invasões piratas. É que, nos Estados Unidos, onde a ISS tem sede, a maioria dos clientes da empresa é aceita por operadoras de seguro.

E a multinacional já avisou que pretende formar parcerias similares para oferecer o serviço também em solo brasileiro. Em linhas curtas, a iniciativa cria a possibilidade de reembolso, caso as empresas seguradas sejam prejudicadas por invasores virtuais mal intencionados. Lloyds Bank e Bradesco são algumas das instituições financeiras que demonstraram interesse no projeto.

As expectativas da Embratel nesse segmento são tão positivas que a companhia já pensa em ampliar a atuação do centro tecnológico, antes mesmo de inaugurá-lo. “Dentro do acordo que nós fizemos, a tecnologia desenvolvida pela ISS, nos EUA, é repassada para a Embratel e nós podemos oferecer o serviço aos clientes. Lá, já estão preparando serviços para pequenas empresas também”, anuncia Arnaldo Soares Nunes, gerente de produto da unidade de negócios Internet via Embratel.

SERVIÇO

www.iss.net
www.embratel.com.br

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Jornal do Commercio
Recife - 21.06.2000
Quarta-feira