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CASO DOS IMIGRANTES ILEGAIS
Motorista do caminhão é processado

LONDRES – A Justiça britânica denunciou ontem formalmente por homicídio culposo (involuntário) o holandês Perry Wacker, 32 anos, motorista do caminhão de placa holandesa no interior do qual agentes alfandegários do Porto de Dover encontraram domingo 58 imigrantes ilegais chineses, mortos por asfixia entre centenas de caixas de tomate.

Wacker, natural da cidade de Roterdã, é o primeiro suspeito de envolvimento na tragédia a ser oficialmente processado. “O motorista responderá igualmente pelo crime de introdução ilegal de imigrantes no país”, disse um porta-voz da polícia de Kent, responsável pelas investigações.

O policial disse também que os dois sobreviventes deixaram o hospital de Kent e Canterbury, onde haviam sido internados com desidratação aguda e trauma mental. “Foram levados para um local seguro e ali serão submetidos a interrogatório”, ressaltou. Ele se recusou a revelar a identidade deles por medida de segurança (a polícia teme que possam ser assassinados pelos mafiosos que exploram a imigração ilegal), mas confirmou a detenção de dois chineses – um casal – no tráfico. “São peixes pequenos, mas podem indicar pistas.”

Com essas prisões, o número de suspeitos detidos chega a cinco. Além do motorista e do casal, as autoridades holandesas capturaram, em Roterdã, o pai do motorista, 55 anos, segundo informou a imprensa da Holanda. Na terça-feira, o dono da empresa que possuía o caminhão, Arie Van der Spek, entregou-se à polícia holandesa.

Na tarde de anteontem, membros de várias entidades internacionais de direitos humanos prestaram homenagem aos chineses mortos, depositando flores junto ao caminhão que carregava os imigrantes.

Em Pequim, o Governo chinês culpou os países ocidentais pelo ocorrido, criticando sua política de garantir asilo a imigrantes ilegais. “É necessário falar dos grupos de criminosos que aproveitam das legislações de outros países...E instigam imigrantes ilegais a pedir asilo político, muitas vezes com sucesso”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhu Bangzao.

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Jornal do Commercio
Recife - 23.06.2000
Sexta-feira